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Introdução à escrita jornalística


O jornalista informa-se e informa, visando preparar uma mensagem facilmente entendida pelo maior número de leitores. Recomenda-se, assim, uma peça jornalística concisa, sem ser monótona; simples e directa; rigorosa na selecção dos materiais; variada nos processos linguísticos e de composição.
É fundamental dominar as categorias e regras gramaticais, pois só deste modo a comunicação resulta.
A especificidade de cada órgão de informação sugere, por outro lado, a necessidade de um padrão estilístico que torne coerente o seu aspecto material. Esta harmonização pode ser tarefa do secretário de redacção ou do editor (no sentido de curador da edição, quanto a feridas ou males linguísticos de que a publicação enferme).
Ensaiaremos algumas propostas, alertando para vícios que maculam, nomeadamente, a Imprensa regional.

A) Técnica
1. Prefira a ordem canónica da frase em Português: sujeito, predicado, complementos.
1. 1. Idealmente, os nomes devem prescindir de adjectivos, que subjectivizam e cortam ímpeto à informação. Quando indispensáveis, venham depois do substantivo e, antes de mais, lembre-se que um adjectivo descritivo (homem alto, p. ex.) é melhor que um valorativo (homem simpático).
1. 2. O verbo, preferencialmente de acção ou movimento – e menos de estado –, deve apoiar-se (mesmo para o passado e futuro próximo) no presente do indicativo. Esquivar, sempre que possível, o modo condicional. Opte por formas simples e não compostas; pelas afirmativas; fale na voz activa.
2. É conveniente evitar orações intercalares: estas alongam as frases e prejudicam a fluência e memorização do texto.
2. 1. O mais importante tem de vir logo no princípio.
3. Os termos concretos, mais frequentes no Português fundamental, têm vantagem sobre os abstractos, rebuscados e preciosos. Não se obrigue o leitor a recorrer ao dicionário.
4. Evitar as repetições vocabulares, os ecos, as rimas e cacofonias, bem como as perífrases, redundâncias, ambiguidades lexicais e sintácticas.
4. 1. Se uma palavra diz tudo, omita-se segunda.
5. O contexto dita o emprego do registo linguístico. Contrariar o calão, a gíria, plebeísmos, barbarismos, neologismos, arcaísmos.
5. 1. Num espaço de trânsito internacional, cuidar os estrangeirismos, que não podem ser tabu. O mesmo se dirá dos regionalismos. Aqueles, todavia, surjam em itálico.
6. A explicação de termos técnicos sucederá a estes, entre parêntesis rectos, ou com remissão para o final da coluna ou do artigo.
7. Chavões, lugares-comuns, bordões e frases feitas retiram força às frases e vivacidade aos assuntos.

 

Ernesto Rodrigues, Mágico Folhetim. Literatura e Jornalismo em Portugal, Lisboa, Editorial Notícias, 1998, p. 85-86.

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