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D. Afonso Henriques

Na indefinição das origens ‒ «Na antemanhã, confuso nada.» (“Viriato”) ‒, «Todo começo é involuntário» (“O Conde D. Henrique”). O fiat genesíaco retorna neste herói «inconsciente», que ergue a espada, «e fez-se». O conde (1066-1112), alegado príncipe húngaro (Os Lusíadas, III, 25, 28; VIII, 9), fizera, antes, filhos em D. Teresa (1080-1130), ilegítima de Afonso VI, que aquele ajudara na conquista do reino galego. Nascidos entre 1094 e 1109 ou 1110, somente o último filho sobreviveu, para missão providencial: nele, até 1185, a espada adquire um sentido, ou «A bênção como espada, / A espada como bênção» (“D. Afonso Henriques”). Espada e cruz dão cruzadismo, que (contra A. J. Saraiva) só a partir daqui se justifica. Quem se faz cavaleiro, em vigília doravante «nossa», é «Pai», primeiro; e seus rostos, por mais humanos aqui e ali , não obnubilam o de herói; faltava o milagre, para caucionar o futuro: é isso Ourique (25-VII-1139).
Começando, todavia, por São Mamede (24-VI-1128), conviria reconciliar em grandeza mãe e filho, como fazem A. Herculano, n’O Bobo e no tomo I da História de Portugal, e “D. Tareja” pessoana, tida por «mãe de reis e avó de impérios», para logo ser anjo protector («Vela por nós!») e «seio augusto» de um agora necessário re-Fundador. A segunda quadra insiste em filho «que, imprevisto, Deus fadou», cedo interlocutores em batalha-chave.
Camões é claro, no longo discurso de treze oitavas dedicadas a Ourique (III, 42-54): face a cem sarracenos, um cavaleiro só confiava «no sumo Deus que o Céu regia» (III, 43: 2). Subitamente, «na Cruz o Filho de Maria, / Amostrando-se a Afonso, o animava» (III, 45: 3-4), o qual faz do Senhor grito e estandarte, senha e companheiro contra os Infiéis (7-8). Nesse interim, Afonso é levantado por «Rei natural» (46: 3): «Desbaratado e roto o Mauro Hispano, / Três dias o grão Rei no campo fica. / Aqui pinta no branco escudo ufano, / Que agora esta vitória certifica, / Cinco escudos azuis esclarecidos, / Em sinal destes cinco Reis vencidos. // E nestes cinco escudos pinta os trinta / Dinheiros por que Deus fora vendido, / Escrevendo a memória, em vária tinta, / D’Aquele de Quem foi favorecido. / Em cada um dos cinco, cinco pinta, / Porque assi fica o número comprido, / Contando duas vezes o do meio, / Dos cinco azuis que em cruz pintando veio.» (III, 53: 3-8; 54) Eis a descrição da bandeira; narrativa mais pormenorizada contém-se, entretanto, na pioneira Crónica de Portugal de 1419 .

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