Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

culturaport

culturaport

D. Afonso Henriques

Na indefinição das origens ‒ «Na antemanhã, confuso nada.» (“Viriato”) ‒, «Todo começo é involuntário» (“O Conde D. Henrique”). O fiat genesíaco retorna neste herói «inconsciente», que ergue a espada, «e fez-se». O conde (1066-1112), alegado príncipe húngaro (Os Lusíadas, III, 25, 28; VIII, 9), fizera, antes, filhos em D. Teresa (1080-1130), ilegítima de Afonso VI, que aquele ajudara na conquista do reino galego. Nascidos entre 1094 e 1109 ou 1110, somente o último filho sobreviveu, para missão providencial: nele, até 1185, a espada adquire um sentido, ou «A bênção como espada, / A espada como bênção» (“D. Afonso Henriques”). Espada e cruz dão cruzadismo, que (contra A. J. Saraiva) só a partir daqui se justifica. Quem se faz cavaleiro, em vigília doravante «nossa», é «Pai», primeiro; e seus rostos, por mais humanos aqui e ali , não obnubilam o de herói; faltava o milagre, para caucionar o futuro: é isso Ourique (25-VII-1139).
Começando, todavia, por São Mamede (24-VI-1128), conviria reconciliar em grandeza mãe e filho, como fazem A. Herculano, n’O Bobo e no tomo I da História de Portugal, e “D. Tareja” pessoana, tida por «mãe de reis e avó de impérios», para logo ser anjo protector («Vela por nós!») e «seio augusto» de um agora necessário re-Fundador. A segunda quadra insiste em filho «que, imprevisto, Deus fadou», cedo interlocutores em batalha-chave.
Camões é claro, no longo discurso de treze oitavas dedicadas a Ourique (III, 42-54): face a cem sarracenos, um cavaleiro só confiava «no sumo Deus que o Céu regia» (III, 43: 2). Subitamente, «na Cruz o Filho de Maria, / Amostrando-se a Afonso, o animava» (III, 45: 3-4), o qual faz do Senhor grito e estandarte, senha e companheiro contra os Infiéis (7-8). Nesse interim, Afonso é levantado por «Rei natural» (46: 3): «Desbaratado e roto o Mauro Hispano, / Três dias o grão Rei no campo fica. / Aqui pinta no branco escudo ufano, / Que agora esta vitória certifica, / Cinco escudos azuis esclarecidos, / Em sinal destes cinco Reis vencidos. // E nestes cinco escudos pinta os trinta / Dinheiros por que Deus fora vendido, / Escrevendo a memória, em vária tinta, / D’Aquele de Quem foi favorecido. / Em cada um dos cinco, cinco pinta, / Porque assi fica o número comprido, / Contando duas vezes o do meio, / Dos cinco azuis que em cruz pintando veio.» (III, 53: 3-8; 54) Eis a descrição da bandeira; narrativa mais pormenorizada contém-se, entretanto, na pioneira Crónica de Portugal de 1419 .

Viriato e Sertório

Sejamos, ou não (Herculano nega), filhos de Viriato [180 a. C.-139 a. C.] e Sertório [126 a. C.-72 a. C.], o mito impôs aquele, defensor da Lusitânia, entre a cava de Viseu (outros ficam pela Cava da Beira, entre Belmonte e Fundão), recolhido no seu escudo sobre pedra informe, e a afoiteza de estátua em Zamora, onde se epigrafa Terror Romanorum, Terror dos Romanos: «É tanta a nobreza de nossa terra e gente, que só ela com seu capitão Viriato pôde lançar os romanos da Espanha e segui-los até à sua Itália.» (Oliveira, p. 41) Seria o primeiro exemplo de Cruzada, vocábulo cujo alcance reduzimos, porém, e revestimos de fé. A. J. Saraiva (1994: 114) alarga o sentido a «missão providencial»: «O mito dos Lusitanos e o de Viriato como precursores de Portugal e o de Ulisses como fundador de Lisboa são contribuições do saber humanista que se subordinam à ideia central da missão providencial dos Portugueses.» Assim, O primeiro grande mito colectivo português, que aliás é um mito de toda a Espanha, foi o da Cruzada, fixada eloquentemente por Camões no poema nacional dos Portugueses. Portugal era o paladino da fé católica, e a expansão mundial da Fé era a sua vocação própria, a razão de ser da sua história. Em relação especial com Deus, que o favoreceu desde o nascimento, Portugal realizava um plano divino que culminaria na conversão do mundo inteiro. (p. 112-113) Absorvendo o próprio Quinto Império, a ideia cruzadística teria vigorado até A. Herculano (p. 115). Para quê, nesse caso, intervalar outros mitos? Como se concilia com as guerras santas medievais, com Ceuta ou D. Sebastião, onde estava em causa também a fé, com a dupla Ulisses e Viriato (não outros?), quando, no máximo, a mentalidade quinhentista lhes atribuía um gesto parcialmente fundador ou defensivo, maxime, autonómico? Já fé e missão providencial no literário Ulisses e no pagão Viriato? Onde tal afirmam os primeiros doutrinadores? Ainda se fossem Noé e Túbal… Camões etimologiza Viriato de vir, varão, para melhor o individualizar na «fama antiga» já lembrada em I, 26: 1-4 [1]: «Desta o Pastor nasceu que no seu nome / Se vê que de homem forte os feitos teve, / Cuja fama ninguém virá que dome, / Pois a grande de Roma não se atreve.» (III, 22: 1-5) Dedica a Viriato duas meias oitavas e uma inteira (VIII, 5: 5-8; 6; 7: 1-4), «Vencedor invencibil, afamado», que só «com manha vergonhosa / A vida lhe tiraram» os Romanos, qual é, na sucessão, o «peregrino» (I, 26: 5-8 [7]) e «Degradado» Sertório, alçando-se «contra a pátria irosa» (VIII, 7: 5-8; 8). Vejamos dois casos viriatianos na prosa , cujo enquadramento, porém, requer Guerra e Fabião (1992: 9-23). A “narrativa epo-histórica” Viriato (1904), de Teófilo Braga, visa caracterizar a ‘alma portuguesa’ «desde as incursões dos Celtas e lutas contra a conquista dos Romanos até à resistência diante das invasões da orgia militar napoleónica», nos seguintes termos: A tenacidade e indomável coragem diante das maiores calamidades, com a fácil adaptação a todos os meios cósmicos, pondo em evidência o seu génio e acção colonizadora; Uma profunda sentimentalidade, obedecendo aos impulsos que a levam às aventuras heróicas, e à idealização efectiva, em que o Amor é sempre um caso de vida ou de morte; Capacidade especulativa pronta para a percepção de todas as doutrinas científicas e filosóficas, […]; Um génio estético, sintetizando o ideal moderno da Civilização Ocidental, como em Camões, reconhecido por Alexandre de Humboldt como o Homero das línguas vivas. […] a ALMA PORTUGUESA achou no seu Poema a incarnação completa. (2008: 5) A reconstituição poética de um Viriato pouco historiado move Teófilo ao modelo do resistente, em eras de agonia final da monarquia: «as terríveis desgraças que nos têm acompanhado desde a romanização da península até à subserviência inglesa, como acostumados ao mal, não nos têm alquebrado»; e assume o exotismo como partícipe de uma «fase estética construtiva» (p. 7). Excesso de folclorismo, minudências históricas e largos vocábulos arrevesados prejudicam a fluência. O pastor, moço de «estatura meã e magra», bem-falante e sensato, apresenta-se como Ouriato (cap. VIII, p. 26), recusando tréguas de submissão a Roma e animando à riposta, embebida em astúcia de quem conhece bem o chão que pisa, desde as alturas dos Montes Hermínios. Por contaminação de outro Viriato, lusitano que acompanhara Aníbal, há-de caber-lhe este nome no acto da aclamação: «[…] dizem que morrera na batalha de Canas; mas o seu ódio não morreu, é redivivo. E porventura não será Viriato o que agora reaparece na figura do maioral da mesta, do valente Ouriato? Como ele, é um salvador que ressurge, um vingador da liberdade da Lusitânia?» (p. 27-28) Depressa o caudilho conquista a região entre Tagus e Anas. Num repouso em Toletum, o «príncipe da Lusitânia» (p. 38) é dignificado pelo sábio Idevor com um colar de ouro, ou víria (no cap. XVI, temos “A canção da víria”), com que se justifica definitivamente o nome. Sucedem correrias e vitórias: A Guerra dos ladrões, como chamavam em Roma à luta heróica de um povo defendendo o seu território, os seus lares, a própria existência, prolongava-se com desastres sucessivos para as armas sempre ufanas dos quirites. Os bárbaros do Ocidente eram exemplo de dignidade cívica e de altura moral para o povo-rei que se arrogava à supremacia da civilização. (p. 72) O procônsul Caio Lélio retratou a Lusitânia junto do senado como a «mais poderosa das nações hispânicas», cuja força não vem «do número dos seus habitantes, mas da sua resistência devida a um temperamento tenaz e incansável, a uma dignidade individual que antes prefere a morte a qualquer aparência de escravidão» (p. 73). A espada romana de pouco serve contra a espada Portus-Gaizus, quando um chefe é invencível; explica (num devaneio sebástico teofiliano) e dá solução: Corria por aqui entre as tribos da Lusónia que apareceria um guerreiro montado em um cavalo branco, e que ele conseguiria repelir o estrangeiro invasor; todos hoje consideram Viriato como a realização dessa velha profecia, […]. Morto este chefe, dissolver-se-á a Lusitânia; porque esse profundo sentimento de raça e de pátria que anima as tribos lusas carece de uma representação que as identifique. (p. 74) Teófilo fazia a sua propaganda intra-republicana… E chega a vez de Lísia ‒ nome não de acaso, pois sugere Lusíadas ‒, «a filha do velho endre» Idevor (p. 78), que fascina Viriato. Entre um tratado de paz enfim aceite por Roma vergada a década de derrotas e o casamento celebrado pela Lusitânia e Celtibéria na Cava de Viriato, já, porém, a traição entrava de roer os próximos, que perdiam favores de exército licenciado… A meio da festa noival, sabe-se que o tratado de Serviliano foi quebrado, pois o irmão procônsul Quinto Servílio Cépio avança com tropas. Mas o sétimo comandante tem outra estratégia: convencer três renegados a apunhá-lo durante o sono ‒ o que cumpre o maior amigo, Minouro. Também exótico em nomes (e nem todos comparecem nas “Notas” finais), prosa frouxa, diálogos à moderna, uso inesperado de «camarada» e excessivo de «porém», A Voz dos Deuses. Memórias de Um Companheiro de Armas de Viriato (1984) , de João Aguiar, dá-nos o filho de Comínio no final do cap. VI, descrito na segunda de três partes pelo jovem narrador Tongio, aos 15 anos ‒ como encerra a história aos 25 anos, não se percebe a acção entre 84 e 79 a. C., quando Sertório recebe este livro, escrito «na língua do invasor» (p. 280) ‒, com vírias de bronze cingindo-lhe os braços e «três grandes plumas vermelhas que enfeitavam o seu capacete» (p. 107). Transformam-se, na aclamação, em vírias de ouro, «símbolo do comando supremo» (p. 147), das quais tirava o nome. Mulher de Viriato (cujo defeito era demorar-se a decidir) é, aqui, Tangina, filha de um útil Astolpas. Tongio reconhece-o herói, não deus, e releva «verdadeiros prodígios de estratégia, diplomacia e eloquência» (p. 198). O trio tredo passa de Ditálcon, Andaca, Minouro a Ditalco, Audax, Minuro: seria preferível Dictaleão, Aulaces, Minuro, os quais emissários (não companheiros de armas), acreditando Servílio Cipião, quando buscam prémio, são executados e publicamente expostos com os dizeres: «Roma não paga a traidores»; o fidelíssimo Tântalo vira Táutalo; em vez de peito sangrado, temos decapitação (147-139 a. C.). Entre os poetas, Miguel Torga faz de Viriato um herói dos Poemas Ibéricos (1965): «O meu nome de ibero é Viriato» ‒ sem o alcance de Pessoa. Após Ulisses, o “Viriato” da Mensagem é assunção da «raça» em tonalidades crísticas: há reencarnação, ressurreição, um Portugal que dele tira «instinto» e se forma (a gradação desce de nação a povo e herói interpelado) ‒ dele, ou daquele «de que eras a haste», seja, Cristo. Impõe-se, assim, «antemanhã, confuso nada» (a clarear) de providencialismo também pessoano; e a necessidade de justificar quem nos cria memória. Sertório é mais historiável e menos literário: ver Os Lusíadas, I, 26: 3; VIII: 5: 5-8 e seguintes, até 8: 8, citando nome. Um inesperado Janus Pannonius (1434-1472; 1987: 336), bispo húngaro, lembra-o nos versos 63-64 de uma bela elegia à morte da mãe Bárbara, “Threnos de morte Barbarae matris”: Fugerat Hesperium Sertorius exul in orbem, Plurima sed profugo cura parentis erat. [Quando, perseguido, Sertório se refugiu na Hespéria, Só com os pais se preocupava no exílio.] Pierre Corneille dedicou-lhe uma peça, Sertorius (1662), acrescentando duas mulheres da sua imaginação, a segunda das quais, Viriate, «reine de Lusitanie, à présent Portugal», tem esta justificação, no introdutório “Au lecteur”:

 

L'autre femme est une pure idée de mon esprit mais qui ne laisse pas d'avoir aussi quelque fondement dans l’histoire. Elle nous apprend que les Lusitaniens appelèrent Sertorius d’Afrique, pour être leur chef contre le parti de Sylla; mais elle ne nous dit point s’ils étaient en République, ou sous une monarchie. Il n’y a donc rien qui répugne à leur donner une reine, et je ne la pouvais faire sortir d'un sang plus considérable, que celui de Viriatus dont je lui fait porter le nom, le plus grand homme que l’Espagne ait opposé aux Romains, et le dernier qui leur a fait tête dans ces provinces avant Sertorius. Il n’était pas roi en effet, mais il en avait toute l'autorité, et les princes et consuls que Rome envoya pour le combattre, et qu’il défit souvent, l’estimèrent assez pour faire des traités de paix avec lui, comme avec un souverain et juste ennemi. Sa mort arriva soixante et huit ans avant celle que je traite; de sorte qu’il aurait pu être aïeul ou bisaïeul de cette reine que je fait parler ici.

Mitos da Cultura Portuguesa [26-IX-2016]

Gilbert Durand (Imagens e Reflexos do Imaginário Português, Lisboa, Hugin, 1997: 204) assenta em quatro mitologemas: o Fundador vindo de longe, seja, Luso ou São Vicente – que não abarca o todo nacional ‒, sendo de acrescentar um conde D. Henrique ‘húngaro’; o nostálgico desejo do impossível incarnado em D. Pedro / Inês, Mariana Alcoforado, Nuno Álvares Pereira derrotando Castelhanos em Aljubarrota: são ingredientes desiguais em pobre salada; a crença num rei salvador oculto; a transmutação paraclética [em nome do, devida ao Espírito Santo] do mundo, inspiradora de todas as descobertas, cujo objectivo era conhecer o reino de Preste João, influenciada pela instituição do culto do Espírito Santo e pela rainha Santa Isabel: não seria pouco, ou limitativo?

Túbal e Luso fundam, segundo Fernão de Oliveira ([1536] 1975: 40), «A antiga nobreza e saber da nossa gente e terra de Espanha, cuja sempre melhor parte foi Portugal, […]». A exemplo do avô Noé, fundador de cidades peninsulares, Túbal «fundou Gibraltar», além de Setúbal, como reiteram Fr. Bernardo de Brito (Monarquia Lusitana, I, 1), Gaspar Barreiros (Chorographia, 1651, fl. 63), Brás Garcia de Mascarenhas (Viriato Trágico [1699], canto I) e demais referidos em “Louvor e ilustração da Língua Portuguesa” (cf. Ernesto Rodrigues, Ensaios de Cultura. Lisboa: Theya, 2016).
Quanto a Luso, «que também enobreceu esta terra», diz Oliveira (p. 40-41) que «não foi grego, mas de Portugal nascido e criado, filho de Liceleu», ou Baco (ver Os Lusíadas, I, 30: 2; I, 31: 5; I, 34: 4; I, 39: 3; I, 49: 5 e VI, 14, 20 = Lieu; I, 73: 2 = Grão Tebano; I, 82: 1; II, 10 = filho de duas mães; II, 12: 2 e VI, 6, 26 = Tioneu; II, 39: 2; III, 18; VI, 25; VIII, 3-4, 47-50; IX, 91 ), do qual rei Luso «se chamou a terra em que vivemos Lusitânia, a qual depois chamaram Turdugal, não do porto de Gaia, como quer Duarte Galvão na História de El-Rei D. Afonso Henriques, mas dos Túrdulos e Galos, duas nações de homens que vieram morar em esta terra, segundo conta Estrabão no terceiro livro da sua Geografia». Esta tese não vingou, antes permanece a de Portus Cale = Portucale resumida em Camões (VI, 52: 1-3): «Lá na leal cidade, donde teve / Origem (como é fama) o nome eterno / De Portugal, […].» Duarte Nunes de Leão, na póstuma Descrição do Reino de Portugal (1610), deriva Lusitânia de Luso,

 

cõpanheiro de Bacho, a que por outro nome chamão Lysia de que também a dita prouincia se dizia Lysitania. Dahi a muitos centos de anos veo a Lusitania chamarse Portugal por esta causa. Na ribeira do rio Douro ha um lugar antiquissimo que o Emperador Antonino em seu itinerario chama cale, & agora se chama Gaia. O qual por seu lugar firmado em alto, & que tinha trabalhosa seruentia para os moradores que erão os mais delles pescadores, començarão a povoalo na parte baxa perto á ribeira do rio. E assi foi crescendo, & se chamou Porto de Cale, & despois Porto Cale, & per tempo Portugal mudando o C. em G. […]. (p. 11v-12r)

Somos, assim, «gente / De Luso» (Os Lusíadas, I, 24: 4; I, 39: 4; II, 17: 6; II, 103: 6; III, 95: 8), o Luso (II, 48: 2; III, 51: 7), eventualmente «Luso horrendo» (II, 48: 8), «geração de Luso» (VII, 2: 1). A origem do nome Lusitânia e a filiação no Tebano demora-se em III, 21 e VIII, 2: 7-8, 3: 1-8 e 4: 1-4, com o acrescento de que Luso está sepultado nesta sua terra.
O «sábio Grego» (Os Lusíadas, I, 3: 1) ou «facundo Ulisses» (II, 45: 1), «O perdido Ítaco» (II, 82: 1) fundador de Lisboa e pai dos Ulisseus (III, 57, 58), tem mais larga menção em VIII, 4: 5-8, 5: 1-4. É, todavia, representação do mito na Mensagem pessoana: «O mito é o nada que é tudo.» A sintaxe e entendimento das três quintilhas são subtis.
A vida, somente «metade de nada», morre, aqui em baixo; o mito, um nada completo, «é tudo», na existência transfiguradora que damos ao inexistente necessário, o qual nos cria, fecundando realidade, falando-a, acima da mesmidade ‒ o «mesmo sol» (grifamos mesmo, para que se sinta a diferença, a novidade) ‒ e da mudez do corpo divino morto.

Linguagem dos Media

1Linguagem dos MediaEJR

1. Nome da unidade curricular
Linguagem dos Media / Language of the Media

2. Ciclo de estudos
1.º

3. Docente responsável e respectivas horas de contacto na unidade curricular
Ernesto José Rodrigues
60 h

4. Outros docentes e respectivas horas de contacto na unidade curricular

5. Objectivos de aprendizagem (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes)
O aluno será capaz de a) reconhecer a especificidade de cada meio e compreender as vias para maximizar a mensagem; b) analisar a complexidade de algumas questões mediáticas, caso da violência, censura, globalização, etc.; c) escrever e expressar-se em moldes efectivamente comunicacionais; d) articular massa de informação complexa de modo estruturado e sistemático.

5. Learning outcomes of the curricular unit
The student will be able a) to recognize the distinctions of each medium and to understand ways to maximize the communications message; b) to analyze the complexity of some media issues including violence, censorship, globalization, etc.; c) to use written and oral communication effectively; d) to manage quantities of complex information in a structured and systematic way.

6. Conteúdos programáticos
1. O conceito de media; tipos de mass media; função dos mass media.
2. Os media impressos: períodos, tipos e características dos media impressos.
3. Conteúdos de jornal; análise de notícias; redacção de notícias.
4. Rádio; televisão; cinema.
5. Os media na era online; jornalismo digital.
6. Evolução, função e tipos de publicidade. Ética em publicidade.

6. Syllabus
1. The concept of media; types of mass media; functions of mass media.
2. Print media: periods, types and characteristics of print media.
3. Content of newspaper; analyzing news; making news.
4. Radio; television; cinema.
5. Media in online age; digital journalism.
6. Evolution, functions and types of advertising. Ethics in advertising.

7. Demonstração da coerência dos conteúdos programáticos com os objectivos de aprendizagem da unidade curricular
Os conteúdos programáticos estão em coerência com os objectivos da unidade curricular, dado que os tópicos foram seleccionados visando proporcionar conhecimentos fundamentais sobre a diferença entre informação e comunicação e seus efeitos na cultura e na sociedade. Os estudantes mostrar-se-ão capazes de especificar a linguagem dos vários media, suas formas de utilização, ilustrando-os com exemplos de diferentes épocas.

7. Demonstration of the syllabus coherence with the curricular unit's objectives
The syllabus is consistent with the objectives of the curricular unit since all topics included in the syllabus were selected so as to provide fundamental knowledge about difference between information and communication and their effects on culture and society. The students will be able to explain the language of the various media, their forms of utilization and illustrate them with examples of different eras.

8. Metodologias de ensino (avaliação incluída)
O ensino baseia-se em aulas teóricas e práticas e em trabalho de pesquisa autónoma e temática em livros de referência. A avaliação consiste num teste final e num trabalho de grupo constituído por 2 ou 3 alunos. A avaliação assenta na participação (10%), trabalhos em aula (50%) e em casa (40%).

8. Teaching methodologies (including evaluation)
Teaching is mainly based on classes and students research on case studies through technical books. Evaluation will be based on final exam plus a small project developed in teams of 2 or 3 students. Teacher evaluations are based on class participation (10%), class work (50%) and homework (40%).

9. Demonstração da coerência das metodologias de ensino com os objectivos de aprendizagem da unidade curricular
O conhecimento teórico e a aplicação prática são objectivos desta unidade, permitindo passar de casos académicos para situações próximas da realidade. A análise de casos de estudo é privilegiada. Seguimos a hierarquia do nível cognitivo segundo Bloom (1956): 1. Conhecimento; 2. Compreensão; 3. Aplicação; 4. Análise; 5. Síntese; 6. Avaliação.

9. Demonstration of the coherence between the teaching methodologies and the learning outcomes
Objectives of this unit include theoretical knowledge and practical classes, extending the scope of the academic knowledge to realistic scenarios. Moreover, case studies are extensively used in the classes. We apply the Bloom’s hierarchy of cognitive domain (1956): 1. Knowledge; 2. Comprehension; 3. Application; 4. Analysis; 5. Synthesis; 6. Evaluation.

10. Bibliografia / Bibliography
BELL, Allan. 1991. The Language of New Media. ‎Hoboken, New Jersey: Wiley-Blackwell. ISBN: 978-0-631-16435-7
(The) Language of the Media.www.bbc.co.uk/worldservice/learningenglish/.../langmedia.pdf
MANOVICH, Lev. 2001. The Language of New Media. Cambridge, Massachusetts, London: The MIT Press. [= www.manovich.net/LNM/Manovich] ISBN-10: 0-262-13374-1; ISBN-13: 978-0-262-13374-6
McLUHAN, Marshall. 1994 [1964]. Understanding Media: The Extensions of Man. Cambridge, Massachusetts, London: The MIT Press. ISBN-10: 0262631598
McQUAIL, Denis. 2003. Teoria da Comunicação de Massas. Lisboa: F. C. Gulbenkian. ISBN: 972-31-1021-0

 

 

Mitos da Cultura Portuguesa

1Mitos da Cultura PortuguesaEJR

1. Nome da unidade curricular
Mitos da Cultura Portuguesa / Myths of Portuguese Culture

2. Ciclo de estudos
1.º

3. Docente responsável e respectivas horas de contacto
Ernesto José Rodrigues
60 h

4. Outros docentes e respectivas horas de contacto na unidade curricular

5. Objectivos de aprendizagem (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes)
Analisar mitos específicos e sua função, reflectir de modo aprofundado sobre as próprias crenças, reconhecer alusões míticas na arte, literatura, teatro e cinema.

5. Learning outcomes of the curricular unit
The student will be able to analyze specific myths with regard to function, reflect with deeper understanding on their own beliefs, recognize mythic allusions in art, literature, drama, and film.

6. Conteúdos programáticos
Os mitos fundadores da Cultura Portuguesa.
A batalha de Ourique.
Inês de Castro.
Sebastianismo.
Apreciação do papel de figuras representativas.

6. Syllabus
The founding myths of Portuguese culture.
The battle of Ourique.
Inês de Castro.
Sebastianism.
Distinctive themes will be examined and attention will be paid to the role of representative figures.

7. Demonstração da coerência dos conteúdos programáticos com os objectivos de aprendizagem da unidade curricular
Os conteúdos programáticos estão em coerência com os objectivos da unidade curricular, dado que os tópicos foram seleccionados visando proporcionar conhecimentos fundamentais sobre o desenvolvimento e funções da mitologia portuguesa.

7. Demonstration of the syllabus coherence with the curricular unit's objectives
The syllabus is consistent with the objectives of the curricular unit since all topics included in the syllabus were selected so as to provide fundamental knowledge about the development and functions of Portuguese mythologie.

8. Metodologias de ensino (avaliação incluída)
O ensino baseia-se em aulas teóricas e práticas e em trabalho de pesquisa autónoma e temática em livros de referência. A avaliação consiste num teste final e num trabalho de grupo constituído por 2 ou 3 alunos. A avaliação assenta na participação (10%), trabalhos em aula (50%) e em casa (40%).

8. Teaching methodologies (including evaluation)
Teaching is mainly based on classes and students research on case studies through technical books. Evaluation will be based on final exam plus a small project developed in teams of 2 or 3 students. Teacher evaluations are based on class participation (10%), class work (50%) and homework (40%).

9. Demonstração da coerência das metodologias de ensino com os objectivos de aprendizagem da unidade curricular
O conhecimento teórico e a aplicação prática são objectivos desta unidade, permitindo passar de casos académicos para situações próximas da realidade. A análise de casos de estudo é privilegiada. Seguimos a hierarquia do nível cognitivo segundo Bloom (1956): 1. Conhecimento; 2. Compreensão; 3. Aplicação; 4. Análise; 5. Síntese; 6. Avaliação.

9. Demonstration of the coherence between the teaching methodologies and the learning outcomes
Objectives of this unit include theoretical knowledge and practical classes, extending the scope of the academic knowledge to realistic scenarios. Moreover, case studies are extensively used in the classes. We apply the Bloom’s hierarchy of cognitive domain (1956): 1. Knowledge; 2. Comprehension; 3. Application; 4. Analysis; 5. Synthesis; 6. Evaluation.

10. Bibliografia / Bibliography
ELIADE, Mircea. 1986. Aspectos do Mito. Lisboa: Edições 70.
FERREIRA, António. 2000. Poemas Lusitanos. Ed. crítica de T. F. Earle. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. [Há outras edições da tragédia Castro.]
PESSOA, Fernando. 1934. Mensagem. Lisboa: Parceria A. M. Pereira.
PIRES, António Machado. 21982. D. Sebastião e o Encoberto. Lisboa: F. C. Gulbenkian,
SARAIVA, António José. 32007. A Cultura em Portugal. Teoria e História. Livro I. Introdução Geral à Cultura Portuguesa. Lisboa: Gradiva.

 

 

Na morte de Kertész Imre

Sem Destino

 

Passou nas salas portuguesas o filme húngaro Sem Destino (produzido com o Reino Unido e Alemanha, 2005), adaptado de Sorstalanság (1975), com que Imre Kertész (Budapeste, 1929) relança a carreira, até ao Prémio Nobel da Literatura, em 2002.

Fui à antestreia, feliz por ter sido adoptado no filme o título breve que propus em 2003 – saíram quatro edições e, depois desse, traduzi outros quatro do autor –, além de coincidências do guião em que a legendagem me retomava, e curioso, ao mesmo tempo, por ver como o realizador Lajos Koltai resolvia problemas (não vou alargar-me nisso) como a variedade linguística num campo de concentração, que me obrigara a dezenas de notas. Reduziu esse aspecto ao mínimo; não conseguiu transmitir sensações, odores, ironias e ingenuidades que o texto dá; mas, em densos 134 minutos, sai obra digna, mesmo notável, sessenta anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. 

Há uma pergunta a fazer: mais um filme sobre o Lager, sobre os campos de extermínio? É verdade; é possível. Mas este argumento é mais do que isso, pois, sendo trabalhado do ponto de vista de um adolescente judeu de catorze anos e meio (idade do autor em 1944, quando é enviado para Auschwitz, passando, depois, por Buchenwal e Zeitz), transforma-se num outro tipo de crescimento dentro de rotina que é elogio da amizade e camaradagem; mais, ainda: embora sem saída, durante a guerra e no regresso à capital destruída, órfão de pai, György Köves (este apelido significa ‘pedregoso’) sabe que «não há absurdo que não se possa viver naturalmente».

A próxima experiência do mesmo autor, ao querer editar esse livro, contada em A Recusa, reitera tal conclusão, agora em regime de estalinismo doce. Ao jovem sobrevivente, mais do que as vicissitudes ou os «horrores» por que todos lhe perguntam, em cidade afinal demudada e hostil, interessa algo que «se assemelhava à felicidade», «lá, entre as chaminés, nos intervalos do sofrimento» (p. 183). Felicidade, vendo fios de fumo dos fornos crematórios? É verdade.

“O Holocausto como cultura” (título de conferência e livro) será, doravante, o principal tema de Kertész: alarga o conceito à experiência comunista, ao capitalismo selvagem que a esta sucedeu no seu país e a comportamentos sionistas em que se não reconhece. Torna-se, logo, um ser contra esses mundos – já questionando se faz sentido trazer filhos ao mundo, em Kaddish para Uma Criança Que não Vai Nascer –, agarrado à traumática vivência juvenil e a um complexo citacional maioritariamente de língua alemã (de que traduziu alguns dos principais autores), embora também extensivo a, por exemplo, um Bernardo Soares e seu Livro do Desassossego, em epígrafe no livro Um Outro. Crónica de Uma Metamorfose.

De prosa algo pesada, pouco literária – o segundo romance, A Recusa, será o melhor, em termos de composição, apesar de leitura difícil –, e com parca aceitação no seu país (o Nobel foi inesperado para todos), é, todavia, o mais traduzido. Este filme tem, ainda, o mérito de relançar cinematografia bem melhor do que a nossa.

 

[Reproduzido de Mensageiro de Bragança, 6-7-2006]

 

Uma Bondade Perfeita

CONVITE

 

A Gradiva e a Livraria Ferin têm o prazer de a/o convidar

para o lançamento do romance

Uma Bondade Perfeita

de Ernesto Rodrigues

 

A obra será apresentada pelo autor.

A sessão terá lugar no próximo dia 31 de Março de 2016, quinta-feira, pelas 18h30, na Livraria Ferin, Rua Nova do Almada, 70-74, Lisboa.

Seguir-se-á uma sessão de autógrafos.

 

ENTRADA LIVRE

Ensaios de Cultura

Ernesto Rodrigues, Ensaios de Cultura, Lisboa: Theya Editores. eBook.

http://www.wook.pt/ficha/ensaios-de-cultura/a/id/17454609
http://theya-ed.org/index.php/pt/ensaios-de-cultura/

 

Os 21 Ensaios de Cultura (1977-2015) assentam na complementaridade entre historiador e analista da cultura face a conjuntos culturais diversos. Convocados elementos visuais (vitral, artes plásticas, pequena escultura) e sonoros (fonógrafos, gramofones), domina o livro enquanto impresso, suas dedicatórias e seus brancos. Olha-se, desde mais acessível Idade Média, ao conto popular, à viagem, ao desporto, aos óculos, à polémica, ao elogio dos bombeiros e ao tema da Virgem e o Menino na Cultura Portuguesa; desde a Roma antiga, à fortuna dos nomes Célia e Lídia. A ilustração do idioma – com antológica de seiscentistas – decorre até hoje, ora dissecando o discurso político em 1976, ora intervindo em debates ainda acesos. Que personalidade cultural será, porém, a nossa, e que mitos alimenta? Essas mais longas reflexões decorrem do texto inaugural, qual introdução ao estudo da Cultura, que também sinaliza os princípios orientadores de uma entrega de décadas à investigação e ao ensino.

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D