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A História da Minha Mulher

Eis a minha última tradução, apresentada na Embaixada da Hungria, em 19 de Julho:

Milán Füst, A História da Minha Mulher. Apontamentos do Comandante Störr [A Feleségem Története. Störr Kapitány Feljegyzései]. Amadora: Cavalo de Ferro.

e-manuscrito


A Associação Portuguesa de Escritores e a plataforma escritores.online acabam de lançar uma nova proposta de edição de obras, a qual pretende ser uma alternativa às actuais soluções de publicação de livros.
O e-manuscrito é uma obra em formato digital, sem intervenção de terceiros, que passa directamente do escritor para o leitor através da plataforma:
www.escritores.online/downloads
O seu descarregamento é pago, para que o escritor possa receber direitos de autor superiores aos praticados no circuito tradicional.
O preço fixo de 2,99€ permite, igualmente, ao leitor, obter, em qualquer parte do Mundo, de uma forma prática e económica, obras em língua portuguesa de diferentes géneros e autores.
À disposição dos leitores já se encontram e-manuscritos de escritores como Rui Zink, Margarida Fonseca Santos, Ernesto Rodrigues, Daniel Gonçalves, Tiago Salazar, António Garcia Barreto, João Morgado, entre outros.
O CLEPUL-Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que colabora neste projecto, é o único centro de investigação parceiro científico de escritores.online.

Linguagem dos Media: Entrevista

A entrevista é real ou fictícia, delas resultando, sempre, um retrato (ou auto-retrato, porque também há auto-entrevistas). A fictícia é uma composição da inteira responsabilidade do jornalista: com o ‘entrevistado’ geralmente morto, reúne o que dele tem por pertinente – respostas anteriores ou que se lhe põem na boca em função de cortes num texto corrido – e, assim, aviva um retrato ou define uma questão.
Integrei o retrato na reportagem porque este exige outra envolvência: como se chegou ao assunto, que ‘luz’ o envolve, por onde passa a ‘moldura’ deste rosto, etc. – isto é, demasiados elementos que, partindo de uma ou várias entrevistas, transcendem estas para implicar, igualmente, o repórter.
Este óbice é regularmente contornado por ligeiras notações devidas ao entrevistador, que assinala os risos, exclamações, pausas, sinalética do interlocutor no seu próprio teatro de gestos.
É um pouco a forma mista, depois que a entrevista sob forma narrativa se aproximou demasiado da reportagem junto de um sujeito, do qual só aqui e ali vai nascendo algum discurso directo. A entrevista que agora me interessa, como género, técnica e um fim em si, é a que surge sob forma predominantemente dialogada.
A clássica entrevista individual confronta duas visões (dizer duas personalidades não prevê o facto tão corrente de o jornal poder enviar dois e mais redactores ou de, mesmo, a outra parte aparecer multiplicada) definidas na alternância de perguntas e respostas. Cabe numa antiquíssima arte da conversação, com certos aspectos doutrinariamente estudados desde o século XVI.
A situação entre parêntesis no parágrafo anterior daria uma mesa-redonda se a parte inquirida não representasse um colectivo unitário. Sendo, pois, várias as cabeças e os sentimentos confrontados com um ou mais jornalistas à volta de uma mesa e de uma série de matérias, temos essa espécie de entrevista que mais espaço costuma ocupar, às vezes, dividido por várias edições.
Cabe aos anfitriões, quase sempre na própria Redacção, dirigir e moderar, jogando a favor da novidade as eventuais contradições e a geral controvérsia. Uma variante deste processo encontra-se no seminário académico, com apresentação de assunto seguida de debate.
Numa relação mais distanciada, com um ou mais porta-vozes e ombreados por jornalistas concorrentes, dá-se a conferência de Imprensa, que se distingue, ainda, por a iniciativa partir do exterior.
Variante desta, à partida mais importante e recente, é a pool, em que se sorteia (e até falseia) um conjunto de repórteres credenciados para espaço reduzido. Tornou-se usual em cenários de guerra e demais catástrofes.
Iniciativa de dentro ou de fora – e, neste caso, a rogo da Direcção – é a sondagem, que resulta numa série de quadros e gráficos, com leitura da Redacção. Baseia-se num universo definido de respondentes e numa bateria de perguntas breves e claras sob forma de inquérito.
Este, por seu turno, é uma pequena entrevista, também ao vivo (num frente-a-frente, por telefone) ou por escrito, a que vários entrevistados sucintamente respondem à mesma ou mesmas questões, destacadas graficamente do conjunto. O que há de discurso jornalístico na sondagem perde-se ou reduz-se aqui; o que, além, é demorada análise, interpretação, resumo passa, aqui, a discurso directo; se aquela vive por si, este acompanha, muitas vezes, a actualidade mais premente e é menos ‘politizado’ − embora uma sondagem de opinião possa versar a infinidade de assuntos de que se faz a mesma opinião... Os objectivos e métodos é que devem ser explicados nos dois casos, desde logo porque o inquérito, apesar de hiper-selectivo, parte de mais fraca amostragem; aqui, as conclusões calham mais ao leitor.
Destas espécies, a conferência de Imprensa, aparentemente ‘mexida’, é a menos viva e, até, concorrida. Escolhe-se a hora em função da hora de fecho dos jornais, mas, desde a véspera, se não quer limitar-se ao press-release ou a um discurso quase sempre formalizado em comunicado, o redactor já pode saber o que se vai passar num espaço dominado por quem convida – e que responde como entende ou sai quando lhe apetece.
A pool sofre destas pechas, embora aconteça mais em cima da hora e a sua natural selectividade e particular matéria justifiquem outra atenção e presença.
A preparação já é diferente quando a iniciativa cabe ao jornalista. Desta feita, mais do que ensaiar um tema multiplicado pelos vários ângulos informativos que o repórter vai encontrar, o entrevistador treina uma miríade de temas possíveis encadeados no discurso de uma só personalidade ou entidade. Em mesa-redonda, tudo cresce geometricamente.
Ideal é conjugar o peso da visão que o entrevistado possa facultar e o interesse do tema, deste modo acedendo à actualidade, se lhe não preexistia.
Uma entrevista, marcada com antecedência e reconfirmada, exige a anotação de perguntas ou pontos-base, como se fossem avançados pelos diferentes tipos de leitores.

A garantia de fidelidade ao que é dito on (e muito pode haver off the record) talvez peça gravação, o que as partes definirão, bem como saber se a peça já redigida é previamente conhecida, no essencial ou no todo, pelo entrevistado. O bom trato tudo resolve.
Da vintena de conselhos que nos dá Mário L. Erbolato , salientem-se os pontos de 6 a 20, com acrescentos meus entre rectos:

6 − Faça as perguntas de modo concreto [e sem considerandos], para obter informações seguras e completas.
7 − Não corte as respostas. Espere que cada uma delas termine, antes de formular a próxima pergunta. [Evite silêncios.]
8 − Se o entrevistado divagar e fugir do assunto, recoloque-o no roteiro previsto, na pergunta seguinte. [Os monólogos em nada ajudam; as respostas longas, de resto, terão de ser cindidas, o que pede respostas desdobradas aquando da redacção final.]
9 − Não discuta com a pessoa, se ela emitir uma opinião contrária ao seu ponto de vista. [A discordância mostra-se, serenamente, através de outra pergunta encadeada. Não deve, também, corrigir os erros linguísticos ou de estrutura frásica, o que fará, depois, na redacção. Sobretudo em texto corrido, qualquer erro significativo pede, imediatamente a seguir, entre parêntesis curvos, a partícula sic.]
10 − Procure mostrar interesse real em tudo quanto for dito. Se o entrevistado verificar que o repórter não está atento, abreviará a exposição e colocará ponto final na entrevista.
11 − Não emita a sua opinião, a menos que ela seja solicitada, e assim mesmo com modéstia e humildade.
12 − Ao fazer uma pergunta, tenha em vista a riqueza da resposta e não apenas uma afirmativa, ou negativa, ou um talvez. [Não deixe pairar as meias verdades e contradições.]
13 − Não seja agressivo. Demonstre franqueza e não astúcia. [Note-se que não está a tratar ninguém por tu ou, pelo menos, essa forma será excluída no produto final.]
14 − Faça as perguntas no mesmo nível de quem responde. Pode acontecer que a entrevista seja importante, por ter sido procurada uma pessoa que saiba bastante sobre algo que ocorreu, embora humilde. Se ela ficar amedrontada, negar-se-á a dar esclarecimentos preciosos para o jornal.
15− Esgote cada área do assunto, antes de passar para outra.
16 − Se necessário, faça alguma pausa, para evitar que o entrevistado se canse. Procure imprimir um pouco de humor ao diálogo.
17 − Não se mostre superentusiasmado se ouvir uma resposta-bomba, porque o entrevistado, diante da sua reacção, poderá pedir-lhe que suprima o que disse, temeroso pelas consequências.
18 − Prepare o terreno para cada pergunta. As coisas mais cruéis e indiscretas podem ser indagadas se o jornalista tiver o cuidado de se ir conduzindo com habilidade.
19 − Se estiver a entrevistar uma senhora não lhe pergunte a idade e o estado civil, a não ser que a matéria se relacione com esses esclarecimentos. [A mesma discrição é devida com as profissões de fé, religiosas, políticas, clubísticas e outras, se desnecessárias ao fulcro da conversa.]
20 − [...] Se a entrevista for feita na Redacção, as interrupções e chamadas ao telefone devem ser reduzidas ao mínimo.» [Aconselha-se, aliás, uma sala completamente à parte ou um espaço exterior.]

As explicações do como e porquê (eventualmente, os demais elementos noticiosos) da entrevista, e um retrato abreviado, seja da matéria nos pontos mais fortes, seja do interlocutor, comparecem no limiar da peça, antes de se proceder à transcrição do diálogo com apresentação dos interlocutores (nome do jornal ou do entrevistador e entrevistado) por extenso e em corpo destacado, passando, logo, às iniciais, ainda separadas por ponto ou travessão. A frequência dos bons modelos de jornalismo (porque não o pingue-pongue de P. e R.?) aconselha a forma certa.
Do que todos comungam é da indispensável exactidão e autenticidade na reprodução do dito.
Se a entrevista vem em texto corrido, essas declarações, entre aspas e/ou em itálico, não devem ir muito além dos 200 caracteres, havendo o máximo cuidado em quebrar a monotonia dos verbos declarativos, cujo sentido varia muito: disse/precisou/acentuou, etc. ao Diário de Notícias, e menos: ao nosso jornal.
Incluirmos numa citação frase ou vocábulo da nossa lavra exige corpo distinto (redondo, p. ex.) e dentro de parêntesis rectos .

Prontuário

Prontuário


Abaixo-assinado (abaixo-assinados)
abre-latas
acerca de
ACNUR - Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados
acórdão (de tribunal colectivo)
açoriano (açoreano, quando em nomes de empresas antigas, etc.)
ademais (= além disso)
aderência (= ligação, fixação)
adesão (=apoio, concordância)
Adis-Adeba
aeroclube
aeroespacial
Afeganistão
afegão
a fim de (a fim de ele compreender e não a fim dele compreender)
afrikaner
afro-asiático
afro-luso-brasileiro
agrément
agro-pecuária
água-de-colónia
AIP - Associação Industrial Portuguesa
ajuizar
álbum (álbuns)
álcool
além-fronteiras
álibi (para outros, alibi)
alternativa (evitar a outra alternativa, a única alternativa)
alvíssaras
amarelo-claro (amarelo-claros)
amém (variação de ámen; plural, ámens)
Amesterdão, Amsterdão
amor-perfeito
ancilose (contra anquilose, também presente; donde, ancilosado, anquilosado)
(o) aneurisma
a nível de (evitar: uma proposta a nível de governo, ou a nível governamental, pois basta uma proposta governamental)
antárctico, Antárctida
anteprojecto
antestreia
antiaéreo
anti-higiénico
ao contrário de (e não diferentemente)
ao deus-dará
aparte (teatral); à parte (= de parte)
apartheid
apelar (para)
apesar de (apesar de o avião subir e não apesar do avião subir)
à queima-roupa
arco-da-velha
arco-íris
arguido (não se é logo réu...)
arranha-céu (arranha-céus)
Árctico
ascensão
assassínio (já Camilo Castelo Branco criticava o galicismo assassinato)
assembleia geral
assessor
assim-assim
assistir (o doente, ao filme)
atrair
audiovisual
Auschwitz
auto-retrato
autobomba
autocrítica
autotanque
aval (avales)
avalancha (e não avalanche)
Ayatollah
azo
azul-escuro (azul-escuros)

Background
Bagdad, Bagdade
bairro da lata
(os) Balcãs
Banguecoque
barman
básquete
bebé
bem-aventurado
bem-disposto
bem-estar
bem-falante
bem-humorado
bem-vindo
bem-visto
bênção
bianual (duas vezes por ano)
bienal (de dois em dois anos)
bilião (forma da LUSA, em vez de mil milhões)
bimensal (duas vezes por mês)
bimestral (cada dois meses)
borda-d'água (bordas-d'água)
braço-de-ferro
bridge
bufete
bulir
busílis (= dificuldade)
bússola

Cabo-verdiano
cacha (notícia em primeira mão, em exclusivo)
Cádis
cãibra
caixeiro-viajante
camoniano
campeão
cansaço
capazmente
capitânia (= nau em que vai o capitão)
cardeal (prelado, ave, planta)
cardial (ponto cardial)
carrocel (preferível a carrossel, como querem alguns prontuários)
cassete
castanho-escuro
catorze (e não quatorze)
CCP (Confederação do Comércio Português)
censo (= recenseamento)
certame
cessação (= acto de cessar)
cetáceo
cetim
charivari
charlatão (charlatães, charlatões)
cheiinho, cheiíssimo
cheque (bancário)
Chernobyl
ciclocrosse
cinquenta
CIP – Confederação da Indústria Portuguesa
circum-escolar
circum-navegação
clarabóia
cliché (para quê cerimónia do acto de posse quando basta posse?)
co-autor
coacção
coarctar
cocktail
coeducação
COI - Comité Olímpico Internacional
colectânea
comboio
com certeza
computorizar (embora o espírito da língua devesse exigir computadorizar)
comummente
concelho (da Horta);
concessão (= permissão)
concessionário
conferência de Imprensa
congratular (alguém pela vitória; congratular-se com a vitória de alguém)
cônjuge
conselho (de amigo)
consenso
constar (das listas e não nas listas)
cônsul (cônsules)
conta-gotas
Continente (referindo-se a Portugal continental)
contorção
contra-ataque
contra-indicação
contra-senso
contrato (= convenção)
controlo
convencer-se (de que)
Copenhaga
copo-d'água
co-responsável
cor
cor-de-rosa
coro
corpo-a-corpo
correligionário
corrector (quem corrige); corretor (= agente da Bolsa)
corta-mato
coser (com agulha)
Costa do Marfim
cozer (= cozinhar)
críquete
cru
cujo (o dito cujo; atender ao seu bom emprego relativo: O senhor, cuja mulher morrera, etc., e não, como já se encontra, cuja a mulher)
curta-metragem

De baixo (não há nada de baixo)
debaixo (debaixo de fogo)
decreto-lei (decretos-lei)
deferir (= despachar)
défice
de mais (tarde de mais)
demais (por demais cansado; demais a mais)
democrata-cristão
desequilíbrio
descrição
descriminar (tirar a culpa); discriminar (diferençar)
desinfecção
deslizar, deslize
despender (gastar; dispêndio, dispendioso)
desumano
desumidificar
dezoito
(a) diabetes
diferir (= adiar, demorar)
dinossauro (também dinossáurio)
direcção-geral, director-geral
discrição (modéstia, reserva)
discriminar (distinguir, separar)
díspar (díspares)
dispêndio (= consumo)
dispensa (= acto de dispensar; mas: a despensa da casa)
disquete
dissensão (= divergência)
doping
Dostoievsky

Ecléctico
ecrã
EFTA - Associação Europeia de Comércio Livre
emergir (elevar-se, vir à tona)
eminente (uma personalidade eminente)
engolir
enseada
erupção
escárnio
esdrúxulo
esplêndido
espontâneo
espremer
esqui
esquisito
estada (= permanência)/ estadia (tempo da escala de um navio no porto. Esta forma impôs-se em expressões como ter/desejar boa estadia)
Estado-membro
Estado-Providência
Estaline
estático (= parado)
estratego
estrato (= camada)
estrela-do-mar
estrito
esverdeado
etc. (nunca e etc., pois este já significa et coetera)
euro [antes, ECU (European Currency Unit = Unidade de Conta Europeia; ECU's)]
ex aequo
extático (= arroubado, enlevado)
extensão
extrema-direita/esquerda
extravasar


fac-símile
farsa
fascínio
FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional
FEF - Fundo de Equilíbrio Financeiro
FEOGA - Fundo Europeu de Orientação e Garantia Agrícolas
ferro-velho
fim-de-semana
finca-pé
fluido, fluidez
fogo-fátuo
franco-atirador
frenesi, frenesim
Frankfurt (Francoforte)

Gaffe
garante (quem garante)
garantia (aquilo que garante)
gato-pingado
GATT - Acordo Geral sobre Comércio e Pautas Aduaneiras
Genebra
gimnodesportivo
gin, gim
ginja, ginjeira, ginjinha
gira-discos
governador-geral
Governo Regional
(um) grama
granjear (= conquistar, adquirir)
gueto (ou ghetto)
guarda-chuva (guarda-chuvas)
guarda-marinha (guardas-marinhas)
guarda-nocturno (guardas-nocturnos)
guarda-republicano (guardas-republicanos)
guarda-sol (guarda-sóis)

Habitat
Hanover, Hanôver
herege, heresia
hiperacidez, hiperácido
hipertensão
histórico-geográfico
Hiroxima
hobby (hobbies)

Ianque
iate
ibero-americano
icebergue
Ieltsin
iene
ilação (= conclusão)
imergir (mergulhar)
iminente (ameaça iminente, próxima)
impacto
Imprensa
incenso
inclusive
indiscreto, indiscrição
inelegível (= que não pode ser eleito)
inexacto
inflação
infligir (aplicar um castigo)
influir
infravermelho
infringir (desrespeitar)
inigualável
iniludível
insucesso
insurreição
intercontinental
interescolar
interestadual
interministerial
intitular
inumano
inverosímil, inverosimilhança
irrupção

Jacarta
jardim-escola
jipe
juiz, juíza
juízo
jusante; a jusante

Kuwait
kilowatt

Laser
lead
légua
ler (lêem)
líder
linguista, linguística
líquen (líquenes)
lobby (lobbies)
lua-de-mel (luas-de-mel)

Maciço (votação maciça e nunca massiva, pérfido galicismo)
Madrid
mais-que-perfeito
majestade, majestoso
mal-agradecido
mal-educado
mal-entendido
mal-humorado
mandado (judicial)
manjerico
marioneta
mass-media
médico-cirurgião
Médio Oriente
meia-final (a primeira meia-final; meias-finais)
meio-corpo
meio-dia
meio-morta/viva
mesa-de-cabeceira
mesa-redonda
micro-ondas
mini-estádio (hífen, que a palavra começa por vogal)
minissaia (mini-saia também se emprega)
ministra, ministro
misto
moinho
morto-vivo
motobomba
motocrosse
musseque

Negociar (negoceio ou negocio)
neoclássico
Nova Iorque
nu
nuvem

Obcecado
obsessão
obstrução, obstruir
OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico
oitavos de final
olisiponense
órfão (ófãos; feminino, órfã, órfãs)
órgão (órgãos)
outrem
ouvidor-geral

PAC - Política Agrícola Comum
país-membro
paje, pajem
palmarés
PALOP - Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa
pão-de-leite
pão-de-ló
pára-quedas, pára-quedismo (ver abaixo, segundo o novo Acordo Ortográfico)
paramilitar
parêntese, parêntesis
partido-Estado
pátio
PEDAP - Programa Específico de Desenvolvimento da Agricultura Portuguesa
pé-de-dança
pé-de-meia
pé-descalço
PEDIP - Programa Específico de Desenvolvimento da Indústria Portuguesa
pêlo (há pélo, pélo-me, de pelar, pelar-se)
pelo sim, pelo não (escrevem outros pelo sim pelo não)
pequeno-almoço
pêra, pêro
perscrutação, perscrutar
peru
PIDDAC - Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central
pintassilgo (mas Maria de Lurdes Pintasilgo)
piquenique
plâncton (plânctons; também plânctones)
plêiade (= conjunto de pessoas ilustres)
plurianual
polir
(a) pool
póquer
pôr-do-sol (pores-do-sol)
por que (= pelo/pela qual, pelos/pelas quais: por que motivo os portugueses choram assim?; por que [= por que coisa] luta Portugal em Angola?)
porque (final, causal: porque luta Portugal em Angola?; donde: porque é que...?)
porta-voz
pós-escolar
pós-graduação
pós-laboral
pouca-vergonha
praia-mar, preamar
pré-aviso
preceptor (= mestre, mentor)
pré-escolar
preexistente
preia-mar (praia-mar, preamar)
premiar (premeio melhor do que premio)
preservar, preservativo
Presidente da República
pretensão, pretensioso
Primeira Guerra Mundial
primeiro-ministro (a primeira-ministra)
pró-europeu
processo-crime (processos-crime)
procurador-geral
pronto-socorro
psicossocial
putsch
puzzle

Qualquer (quaisquer)
Quebeque
quebra-gelo
quilograma
quilómetro
quiproquó
quota-parte

Rabo-de-palha
radioactividade, radiactividade
radioemissor
radiouvinte
râguebi
rainha
raiz
rali (ralis)
ratificar
Raul
reboliço
recém-casado
recém-nascido
recém-vindo
recensão, recensear
recorde
rectificar
reestruturação
rendível
rentabilidade, rentável
repórter (repórteres)
rescindir
rescrever, rescrita (uso generalizado: reescrever, reescrita)
restauração [a evitar quando remete para restaurantes]
retaguarda
ringue
rinque
robô (robôs)
roda-viva
round (substituir por assalto, no boxe, ou ronda de conversações)
rouxinol (preferível a roussinol)
ruptura (melhor do que rotura)

Sala de jantar
sanção, sancionar
Sara (deserto)
secessão (= separação)
secretário-geral
segundogénito
sem-cerimónia
sem-número
sem-vergonha
sémen (sémenes)
semioficial
sérvio, servo-croata
(a) síndrome (também síndroma)
sobre-humano
[à] socapa
socioeconómico
sol-pôr, sol-posto
stock
subinspector
subsecretário
super-homem
supracitado

Tão-pouco (= também não)
tão-só, tão-somente
telespectador
ter de (preferível a Ter que, apesar do reforço que este oferece)
têxtil
tintim por tintim (para outros, tintim-por-tintim)
tio-avô (tios-avós)
tragico-marítimo
transatlântico
tuta-e-meia

Uísque
ultimato
ultra-rápido
ultramoderno

Vai-não-vai
vendável, vendível
ver (vêem)
verde-amarelado, verde-claro, verde-escuro
vice-reitor
vice-versa
vide
vídeo, vídeocassete
voo

Xeque
xeque (-mate)

Zãngão (zângãos, zãngões)
zé-ninguém

d) Acordo ortográfico
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de Dezembro de 1990, pelos responsáveis políticos dos sete países que falam Português, deveria ter entrado em vigor no dia 1 de Janeiro de 1994. Dada a necessária fase de adaptação dos escreventes e a importância que, neste domínio, vão ter jornais e revistas, registamos as grafias que mais polémicas, alertando, em especial, para algumas sequências consonânticas em perigo. Notar-se-á, em conformidade, que vários termos incluídos no Prontuário sofrem alterações.

Ação
acionar
adoção
adotar
afetivo
agosto (os meses do ano em minúsculas)
agroindustrial
amnistia ou anistia
amnistiar ou anistiar
antiaéreo
antirreligioso
antissemita
aspecto ou aspecto
ato
assumpção ou assunção
autoaprendizagem
autoestrada

Batizar
boia

Cacto ou cato
cáliz
cão de guarda
caracteres ou carateres
caraté
ceptro ou cetro
coeducação
coleção
coletivo
concepção ou conceção
contrarregra
coobrigação
coocupante
corrupto ou corruto
crer (creem)
croché

Dar (deem)
descrer (descreem)
dicção ou dição
direção
diretor

Egito
elétrico
eletrossiderurgia
exato
excecional
excecionalmente
exceto
excetuar
extraescolar

Facto ou fato
fim de semana (fins de semana)

Guarda-noturno
guiché

Haver (sem hífen, quando a preposição de liga as formas monossilábicas do presente do indicativo: hei de, hás de, hão de)
heroico
hidroelétrico

Indemnizar ou indenizar
infrassom
introito
inverno

Jiboia

Ler (leem)

Mandachuva
matiné
microssistema
microrradiografia

Norte (minúsculas nos pontos cardiais)

Objeção
omnímodo ou onímodo
omnipotente ou onipotente
omnisciente ou onisciente
ótimo
outono

Paranoico
paraquedas
paraquedista
peremptório ou perentório
primavera

Recepção ou receção
rever (reveem)

Sector ou setor
semitom
súbdito ou súdito
sumptuoso ou suntuoso
sumptuosidade ou suntuosidade

Tresler (tresleem)

Ver (veem)
verão

D. Afonso Henriques

Na indefinição das origens ‒ «Na antemanhã, confuso nada.» (“Viriato”) ‒, «Todo começo é involuntário» (“O Conde D. Henrique”). O fiat genesíaco retorna neste herói «inconsciente», que ergue a espada, «e fez-se». O conde (1066-1112), alegado príncipe húngaro (Os Lusíadas, III, 25, 28; VIII, 9), fizera, antes, filhos em D. Teresa (1080-1130), ilegítima de Afonso VI, que aquele ajudara na conquista do reino galego. Nascidos entre 1094 e 1109 ou 1110, somente o último filho sobreviveu, para missão providencial: nele, até 1185, a espada adquire um sentido, ou «A bênção como espada, / A espada como bênção» (“D. Afonso Henriques”). Espada e cruz dão cruzadismo, que (contra A. J. Saraiva) só a partir daqui se justifica. Quem se faz cavaleiro, em vigília doravante «nossa», é «Pai», primeiro; e seus rostos, por mais humanos aqui e ali , não obnubilam o de herói; faltava o milagre, para caucionar o futuro: é isso Ourique (25-VII-1139).
Começando, todavia, por São Mamede (24-VI-1128), conviria reconciliar em grandeza mãe e filho, como fazem A. Herculano, n’O Bobo e no tomo I da História de Portugal, e “D. Tareja” pessoana, tida por «mãe de reis e avó de impérios», para logo ser anjo protector («Vela por nós!») e «seio augusto» de um agora necessário re-Fundador. A segunda quadra insiste em filho «que, imprevisto, Deus fadou», cedo interlocutores em batalha-chave.
Camões é claro, no longo discurso de treze oitavas dedicadas a Ourique (III, 42-54): face a cem sarracenos, um cavaleiro só confiava «no sumo Deus que o Céu regia» (III, 43: 2). Subitamente, «na Cruz o Filho de Maria, / Amostrando-se a Afonso, o animava» (III, 45: 3-4), o qual faz do Senhor grito e estandarte, senha e companheiro contra os Infiéis (7-8). Nesse interim, Afonso é levantado por «Rei natural» (46: 3): «Desbaratado e roto o Mauro Hispano, / Três dias o grão Rei no campo fica. / Aqui pinta no branco escudo ufano, / Que agora esta vitória certifica, / Cinco escudos azuis esclarecidos, / Em sinal destes cinco Reis vencidos. // E nestes cinco escudos pinta os trinta / Dinheiros por que Deus fora vendido, / Escrevendo a memória, em vária tinta, / D’Aquele de Quem foi favorecido. / Em cada um dos cinco, cinco pinta, / Porque assi fica o número comprido, / Contando duas vezes o do meio, / Dos cinco azuis que em cruz pintando veio.» (III, 53: 3-8; 54) Eis a descrição da bandeira; narrativa mais pormenorizada contém-se, entretanto, na pioneira Crónica de Portugal de 1419 .

Viriato e Sertório

Sejamos, ou não (Herculano nega), filhos de Viriato [180 a. C.-139 a. C.] e Sertório [126 a. C.-72 a. C.], o mito impôs aquele, defensor da Lusitânia, entre a cava de Viseu (outros ficam pela Cava da Beira, entre Belmonte e Fundão), recolhido no seu escudo sobre pedra informe, e a afoiteza de estátua em Zamora, onde se epigrafa Terror Romanorum, Terror dos Romanos: «É tanta a nobreza de nossa terra e gente, que só ela com seu capitão Viriato pôde lançar os romanos da Espanha e segui-los até à sua Itália.» (Oliveira, p. 41) Seria o primeiro exemplo de Cruzada, vocábulo cujo alcance reduzimos, porém, e revestimos de fé. A. J. Saraiva (1994: 114) alarga o sentido a «missão providencial»: «O mito dos Lusitanos e o de Viriato como precursores de Portugal e o de Ulisses como fundador de Lisboa são contribuições do saber humanista que se subordinam à ideia central da missão providencial dos Portugueses.» Assim, O primeiro grande mito colectivo português, que aliás é um mito de toda a Espanha, foi o da Cruzada, fixada eloquentemente por Camões no poema nacional dos Portugueses. Portugal era o paladino da fé católica, e a expansão mundial da Fé era a sua vocação própria, a razão de ser da sua história. Em relação especial com Deus, que o favoreceu desde o nascimento, Portugal realizava um plano divino que culminaria na conversão do mundo inteiro. (p. 112-113) Absorvendo o próprio Quinto Império, a ideia cruzadística teria vigorado até A. Herculano (p. 115). Para quê, nesse caso, intervalar outros mitos? Como se concilia com as guerras santas medievais, com Ceuta ou D. Sebastião, onde estava em causa também a fé, com a dupla Ulisses e Viriato (não outros?), quando, no máximo, a mentalidade quinhentista lhes atribuía um gesto parcialmente fundador ou defensivo, maxime, autonómico? Já fé e missão providencial no literário Ulisses e no pagão Viriato? Onde tal afirmam os primeiros doutrinadores? Ainda se fossem Noé e Túbal… Camões etimologiza Viriato de vir, varão, para melhor o individualizar na «fama antiga» já lembrada em I, 26: 1-4 [1]: «Desta o Pastor nasceu que no seu nome / Se vê que de homem forte os feitos teve, / Cuja fama ninguém virá que dome, / Pois a grande de Roma não se atreve.» (III, 22: 1-5) Dedica a Viriato duas meias oitavas e uma inteira (VIII, 5: 5-8; 6; 7: 1-4), «Vencedor invencibil, afamado», que só «com manha vergonhosa / A vida lhe tiraram» os Romanos, qual é, na sucessão, o «peregrino» (I, 26: 5-8 [7]) e «Degradado» Sertório, alçando-se «contra a pátria irosa» (VIII, 7: 5-8; 8). Vejamos dois casos viriatianos na prosa , cujo enquadramento, porém, requer Guerra e Fabião (1992: 9-23). A “narrativa epo-histórica” Viriato (1904), de Teófilo Braga, visa caracterizar a ‘alma portuguesa’ «desde as incursões dos Celtas e lutas contra a conquista dos Romanos até à resistência diante das invasões da orgia militar napoleónica», nos seguintes termos: A tenacidade e indomável coragem diante das maiores calamidades, com a fácil adaptação a todos os meios cósmicos, pondo em evidência o seu génio e acção colonizadora; Uma profunda sentimentalidade, obedecendo aos impulsos que a levam às aventuras heróicas, e à idealização efectiva, em que o Amor é sempre um caso de vida ou de morte; Capacidade especulativa pronta para a percepção de todas as doutrinas científicas e filosóficas, […]; Um génio estético, sintetizando o ideal moderno da Civilização Ocidental, como em Camões, reconhecido por Alexandre de Humboldt como o Homero das línguas vivas. […] a ALMA PORTUGUESA achou no seu Poema a incarnação completa. (2008: 5) A reconstituição poética de um Viriato pouco historiado move Teófilo ao modelo do resistente, em eras de agonia final da monarquia: «as terríveis desgraças que nos têm acompanhado desde a romanização da península até à subserviência inglesa, como acostumados ao mal, não nos têm alquebrado»; e assume o exotismo como partícipe de uma «fase estética construtiva» (p. 7). Excesso de folclorismo, minudências históricas e largos vocábulos arrevesados prejudicam a fluência. O pastor, moço de «estatura meã e magra», bem-falante e sensato, apresenta-se como Ouriato (cap. VIII, p. 26), recusando tréguas de submissão a Roma e animando à riposta, embebida em astúcia de quem conhece bem o chão que pisa, desde as alturas dos Montes Hermínios. Por contaminação de outro Viriato, lusitano que acompanhara Aníbal, há-de caber-lhe este nome no acto da aclamação: «[…] dizem que morrera na batalha de Canas; mas o seu ódio não morreu, é redivivo. E porventura não será Viriato o que agora reaparece na figura do maioral da mesta, do valente Ouriato? Como ele, é um salvador que ressurge, um vingador da liberdade da Lusitânia?» (p. 27-28) Depressa o caudilho conquista a região entre Tagus e Anas. Num repouso em Toletum, o «príncipe da Lusitânia» (p. 38) é dignificado pelo sábio Idevor com um colar de ouro, ou víria (no cap. XVI, temos “A canção da víria”), com que se justifica definitivamente o nome. Sucedem correrias e vitórias: A Guerra dos ladrões, como chamavam em Roma à luta heróica de um povo defendendo o seu território, os seus lares, a própria existência, prolongava-se com desastres sucessivos para as armas sempre ufanas dos quirites. Os bárbaros do Ocidente eram exemplo de dignidade cívica e de altura moral para o povo-rei que se arrogava à supremacia da civilização. (p. 72) O procônsul Caio Lélio retratou a Lusitânia junto do senado como a «mais poderosa das nações hispânicas», cuja força não vem «do número dos seus habitantes, mas da sua resistência devida a um temperamento tenaz e incansável, a uma dignidade individual que antes prefere a morte a qualquer aparência de escravidão» (p. 73). A espada romana de pouco serve contra a espada Portus-Gaizus, quando um chefe é invencível; explica (num devaneio sebástico teofiliano) e dá solução: Corria por aqui entre as tribos da Lusónia que apareceria um guerreiro montado em um cavalo branco, e que ele conseguiria repelir o estrangeiro invasor; todos hoje consideram Viriato como a realização dessa velha profecia, […]. Morto este chefe, dissolver-se-á a Lusitânia; porque esse profundo sentimento de raça e de pátria que anima as tribos lusas carece de uma representação que as identifique. (p. 74) Teófilo fazia a sua propaganda intra-republicana… E chega a vez de Lísia ‒ nome não de acaso, pois sugere Lusíadas ‒, «a filha do velho endre» Idevor (p. 78), que fascina Viriato. Entre um tratado de paz enfim aceite por Roma vergada a década de derrotas e o casamento celebrado pela Lusitânia e Celtibéria na Cava de Viriato, já, porém, a traição entrava de roer os próximos, que perdiam favores de exército licenciado… A meio da festa noival, sabe-se que o tratado de Serviliano foi quebrado, pois o irmão procônsul Quinto Servílio Cépio avança com tropas. Mas o sétimo comandante tem outra estratégia: convencer três renegados a apunhá-lo durante o sono ‒ o que cumpre o maior amigo, Minouro. Também exótico em nomes (e nem todos comparecem nas “Notas” finais), prosa frouxa, diálogos à moderna, uso inesperado de «camarada» e excessivo de «porém», A Voz dos Deuses. Memórias de Um Companheiro de Armas de Viriato (1984) , de João Aguiar, dá-nos o filho de Comínio no final do cap. VI, descrito na segunda de três partes pelo jovem narrador Tongio, aos 15 anos ‒ como encerra a história aos 25 anos, não se percebe a acção entre 84 e 79 a. C., quando Sertório recebe este livro, escrito «na língua do invasor» (p. 280) ‒, com vírias de bronze cingindo-lhe os braços e «três grandes plumas vermelhas que enfeitavam o seu capacete» (p. 107). Transformam-se, na aclamação, em vírias de ouro, «símbolo do comando supremo» (p. 147), das quais tirava o nome. Mulher de Viriato (cujo defeito era demorar-se a decidir) é, aqui, Tangina, filha de um útil Astolpas. Tongio reconhece-o herói, não deus, e releva «verdadeiros prodígios de estratégia, diplomacia e eloquência» (p. 198). O trio tredo passa de Ditálcon, Andaca, Minouro a Ditalco, Audax, Minuro: seria preferível Dictaleão, Aulaces, Minuro, os quais emissários (não companheiros de armas), acreditando Servílio Cipião, quando buscam prémio, são executados e publicamente expostos com os dizeres: «Roma não paga a traidores»; o fidelíssimo Tântalo vira Táutalo; em vez de peito sangrado, temos decapitação (147-139 a. C.). Entre os poetas, Miguel Torga faz de Viriato um herói dos Poemas Ibéricos (1965): «O meu nome de ibero é Viriato» ‒ sem o alcance de Pessoa. Após Ulisses, o “Viriato” da Mensagem é assunção da «raça» em tonalidades crísticas: há reencarnação, ressurreição, um Portugal que dele tira «instinto» e se forma (a gradação desce de nação a povo e herói interpelado) ‒ dele, ou daquele «de que eras a haste», seja, Cristo. Impõe-se, assim, «antemanhã, confuso nada» (a clarear) de providencialismo também pessoano; e a necessidade de justificar quem nos cria memória. Sertório é mais historiável e menos literário: ver Os Lusíadas, I, 26: 3; VIII: 5: 5-8 e seguintes, até 8: 8, citando nome. Um inesperado Janus Pannonius (1434-1472; 1987: 336), bispo húngaro, lembra-o nos versos 63-64 de uma bela elegia à morte da mãe Bárbara, “Threnos de morte Barbarae matris”: Fugerat Hesperium Sertorius exul in orbem, Plurima sed profugo cura parentis erat. [Quando, perseguido, Sertório se refugiu na Hespéria, Só com os pais se preocupava no exílio.] Pierre Corneille dedicou-lhe uma peça, Sertorius (1662), acrescentando duas mulheres da sua imaginação, a segunda das quais, Viriate, «reine de Lusitanie, à présent Portugal», tem esta justificação, no introdutório “Au lecteur”:

 

L'autre femme est une pure idée de mon esprit mais qui ne laisse pas d'avoir aussi quelque fondement dans l’histoire. Elle nous apprend que les Lusitaniens appelèrent Sertorius d’Afrique, pour être leur chef contre le parti de Sylla; mais elle ne nous dit point s’ils étaient en République, ou sous une monarchie. Il n’y a donc rien qui répugne à leur donner une reine, et je ne la pouvais faire sortir d'un sang plus considérable, que celui de Viriatus dont je lui fait porter le nom, le plus grand homme que l’Espagne ait opposé aux Romains, et le dernier qui leur a fait tête dans ces provinces avant Sertorius. Il n’était pas roi en effet, mais il en avait toute l'autorité, et les princes et consuls que Rome envoya pour le combattre, et qu’il défit souvent, l’estimèrent assez pour faire des traités de paix avec lui, comme avec un souverain et juste ennemi. Sa mort arriva soixante et huit ans avant celle que je traite; de sorte qu’il aurait pu être aïeul ou bisaïeul de cette reine que je fait parler ici.

Linguagem dos Media

1Linguagem dos MediaEJR

1. Nome da unidade curricular
Linguagem dos Media / Language of the Media

2. Ciclo de estudos
1.º

3. Docente responsável e respectivas horas de contacto na unidade curricular
Ernesto José Rodrigues
60 h

4. Outros docentes e respectivas horas de contacto na unidade curricular

5. Objectivos de aprendizagem (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes)
O aluno será capaz de a) reconhecer a especificidade de cada meio e compreender as vias para maximizar a mensagem; b) analisar a complexidade de algumas questões mediáticas, caso da violência, censura, globalização, etc.; c) escrever e expressar-se em moldes efectivamente comunicacionais; d) articular massa de informação complexa de modo estruturado e sistemático.

5. Learning outcomes of the curricular unit
The student will be able a) to recognize the distinctions of each medium and to understand ways to maximize the communications message; b) to analyze the complexity of some media issues including violence, censorship, globalization, etc.; c) to use written and oral communication effectively; d) to manage quantities of complex information in a structured and systematic way.

6. Conteúdos programáticos
1. O conceito de media; tipos de mass media; função dos mass media.
2. Os media impressos: períodos, tipos e características dos media impressos.
3. Conteúdos de jornal; análise de notícias; redacção de notícias.
4. Rádio; televisão; cinema.
5. Os media na era online; jornalismo digital.
6. Evolução, função e tipos de publicidade. Ética em publicidade.

6. Syllabus
1. The concept of media; types of mass media; functions of mass media.
2. Print media: periods, types and characteristics of print media.
3. Content of newspaper; analyzing news; making news.
4. Radio; television; cinema.
5. Media in online age; digital journalism.
6. Evolution, functions and types of advertising. Ethics in advertising.

7. Demonstração da coerência dos conteúdos programáticos com os objectivos de aprendizagem da unidade curricular
Os conteúdos programáticos estão em coerência com os objectivos da unidade curricular, dado que os tópicos foram seleccionados visando proporcionar conhecimentos fundamentais sobre a diferença entre informação e comunicação e seus efeitos na cultura e na sociedade. Os estudantes mostrar-se-ão capazes de especificar a linguagem dos vários media, suas formas de utilização, ilustrando-os com exemplos de diferentes épocas.

7. Demonstration of the syllabus coherence with the curricular unit's objectives
The syllabus is consistent with the objectives of the curricular unit since all topics included in the syllabus were selected so as to provide fundamental knowledge about difference between information and communication and their effects on culture and society. The students will be able to explain the language of the various media, their forms of utilization and illustrate them with examples of different eras.

8. Metodologias de ensino (avaliação incluída)
O ensino baseia-se em aulas teóricas e práticas e em trabalho de pesquisa autónoma e temática em livros de referência. A avaliação consiste num teste final e num trabalho de grupo constituído por 2 ou 3 alunos. A avaliação assenta na participação (10%), trabalhos em aula (50%) e em casa (40%).

8. Teaching methodologies (including evaluation)
Teaching is mainly based on classes and students research on case studies through technical books. Evaluation will be based on final exam plus a small project developed in teams of 2 or 3 students. Teacher evaluations are based on class participation (10%), class work (50%) and homework (40%).

9. Demonstração da coerência das metodologias de ensino com os objectivos de aprendizagem da unidade curricular
O conhecimento teórico e a aplicação prática são objectivos desta unidade, permitindo passar de casos académicos para situações próximas da realidade. A análise de casos de estudo é privilegiada. Seguimos a hierarquia do nível cognitivo segundo Bloom (1956): 1. Conhecimento; 2. Compreensão; 3. Aplicação; 4. Análise; 5. Síntese; 6. Avaliação.

9. Demonstration of the coherence between the teaching methodologies and the learning outcomes
Objectives of this unit include theoretical knowledge and practical classes, extending the scope of the academic knowledge to realistic scenarios. Moreover, case studies are extensively used in the classes. We apply the Bloom’s hierarchy of cognitive domain (1956): 1. Knowledge; 2. Comprehension; 3. Application; 4. Analysis; 5. Synthesis; 6. Evaluation.

10. Bibliografia / Bibliography
BELL, Allan. 1991. The Language of New Media. ‎Hoboken, New Jersey: Wiley-Blackwell. ISBN: 978-0-631-16435-7
(The) Language of the Media.www.bbc.co.uk/worldservice/learningenglish/.../langmedia.pdf
MANOVICH, Lev. 2001. The Language of New Media. Cambridge, Massachusetts, London: The MIT Press. [= www.manovich.net/LNM/Manovich] ISBN-10: 0-262-13374-1; ISBN-13: 978-0-262-13374-6
McLUHAN, Marshall. 1994 [1964]. Understanding Media: The Extensions of Man. Cambridge, Massachusetts, London: The MIT Press. ISBN-10: 0262631598
McQUAIL, Denis. 2003. Teoria da Comunicação de Massas. Lisboa: F. C. Gulbenkian. ISBN: 972-31-1021-0

 

 

Mitos da Cultura Portuguesa

1Mitos da Cultura PortuguesaEJR

1. Nome da unidade curricular
Mitos da Cultura Portuguesa / Myths of Portuguese Culture

2. Ciclo de estudos
1.º

3. Docente responsável e respectivas horas de contacto
Ernesto José Rodrigues
60 h

4. Outros docentes e respectivas horas de contacto na unidade curricular

5. Objectivos de aprendizagem (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes)
Analisar mitos específicos e sua função, reflectir de modo aprofundado sobre as próprias crenças, reconhecer alusões míticas na arte, literatura, teatro e cinema.

5. Learning outcomes of the curricular unit
The student will be able to analyze specific myths with regard to function, reflect with deeper understanding on their own beliefs, recognize mythic allusions in art, literature, drama, and film.

6. Conteúdos programáticos
Os mitos fundadores da Cultura Portuguesa.
A batalha de Ourique.
Inês de Castro.
Sebastianismo.
Apreciação do papel de figuras representativas.

6. Syllabus
The founding myths of Portuguese culture.
The battle of Ourique.
Inês de Castro.
Sebastianism.
Distinctive themes will be examined and attention will be paid to the role of representative figures.

7. Demonstração da coerência dos conteúdos programáticos com os objectivos de aprendizagem da unidade curricular
Os conteúdos programáticos estão em coerência com os objectivos da unidade curricular, dado que os tópicos foram seleccionados visando proporcionar conhecimentos fundamentais sobre o desenvolvimento e funções da mitologia portuguesa.

7. Demonstration of the syllabus coherence with the curricular unit's objectives
The syllabus is consistent with the objectives of the curricular unit since all topics included in the syllabus were selected so as to provide fundamental knowledge about the development and functions of Portuguese mythologie.

8. Metodologias de ensino (avaliação incluída)
O ensino baseia-se em aulas teóricas e práticas e em trabalho de pesquisa autónoma e temática em livros de referência. A avaliação consiste num teste final e num trabalho de grupo constituído por 2 ou 3 alunos. A avaliação assenta na participação (10%), trabalhos em aula (50%) e em casa (40%).

8. Teaching methodologies (including evaluation)
Teaching is mainly based on classes and students research on case studies through technical books. Evaluation will be based on final exam plus a small project developed in teams of 2 or 3 students. Teacher evaluations are based on class participation (10%), class work (50%) and homework (40%).

9. Demonstração da coerência das metodologias de ensino com os objectivos de aprendizagem da unidade curricular
O conhecimento teórico e a aplicação prática são objectivos desta unidade, permitindo passar de casos académicos para situações próximas da realidade. A análise de casos de estudo é privilegiada. Seguimos a hierarquia do nível cognitivo segundo Bloom (1956): 1. Conhecimento; 2. Compreensão; 3. Aplicação; 4. Análise; 5. Síntese; 6. Avaliação.

9. Demonstration of the coherence between the teaching methodologies and the learning outcomes
Objectives of this unit include theoretical knowledge and practical classes, extending the scope of the academic knowledge to realistic scenarios. Moreover, case studies are extensively used in the classes. We apply the Bloom’s hierarchy of cognitive domain (1956): 1. Knowledge; 2. Comprehension; 3. Application; 4. Analysis; 5. Synthesis; 6. Evaluation.

10. Bibliografia / Bibliography
ELIADE, Mircea. 1986. Aspectos do Mito. Lisboa: Edições 70.
FERREIRA, António. 2000. Poemas Lusitanos. Ed. crítica de T. F. Earle. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. [Há outras edições da tragédia Castro.]
PESSOA, Fernando. 1934. Mensagem. Lisboa: Parceria A. M. Pereira.
PIRES, António Machado. 21982. D. Sebastião e o Encoberto. Lisboa: F. C. Gulbenkian,
SARAIVA, António José. 32007. A Cultura em Portugal. Teoria e História. Livro I. Introdução Geral à Cultura Portuguesa. Lisboa: Gradiva.

 

 

Ensaios de Cultura

Ernesto Rodrigues, Ensaios de Cultura, Lisboa: Theya Editores. eBook.

http://www.wook.pt/ficha/ensaios-de-cultura/a/id/17454609
http://theya-ed.org/index.php/pt/ensaios-de-cultura/

 

Os 21 Ensaios de Cultura (1977-2015) assentam na complementaridade entre historiador e analista da cultura face a conjuntos culturais diversos. Convocados elementos visuais (vitral, artes plásticas, pequena escultura) e sonoros (fonógrafos, gramofones), domina o livro enquanto impresso, suas dedicatórias e seus brancos. Olha-se, desde mais acessível Idade Média, ao conto popular, à viagem, ao desporto, aos óculos, à polémica, ao elogio dos bombeiros e ao tema da Virgem e o Menino na Cultura Portuguesa; desde a Roma antiga, à fortuna dos nomes Célia e Lídia. A ilustração do idioma – com antológica de seiscentistas – decorre até hoje, ora dissecando o discurso político em 1976, ora intervindo em debates ainda acesos. Que personalidade cultural será, porém, a nossa, e que mitos alimenta? Essas mais longas reflexões decorrem do texto inaugural, qual introdução ao estudo da Cultura, que também sinaliza os princípios orientadores de uma entrega de décadas à investigação e ao ensino.

 

 

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