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Mitos da Cultura Portuguesa [26-IX-2016]

Gilbert Durand (Imagens e Reflexos do Imaginário Português, Lisboa, Hugin, 1997: 204) assenta em quatro mitologemas: o Fundador vindo de longe, seja, Luso ou São Vicente – que não abarca o todo nacional ‒, sendo de acrescentar um conde D. Henrique ‘húngaro’; o nostálgico desejo do impossível incarnado em D. Pedro / Inês, Mariana Alcoforado, Nuno Álvares Pereira derrotando Castelhanos em Aljubarrota: são ingredientes desiguais em pobre salada; a crença num rei salvador oculto; a transmutação paraclética [em nome do, devida ao Espírito Santo] do mundo, inspiradora de todas as descobertas, cujo objectivo era conhecer o reino de Preste João, influenciada pela instituição do culto do Espírito Santo e pela rainha Santa Isabel: não seria pouco, ou limitativo?

Túbal e Luso fundam, segundo Fernão de Oliveira ([1536] 1975: 40), «A antiga nobreza e saber da nossa gente e terra de Espanha, cuja sempre melhor parte foi Portugal, […]». A exemplo do avô Noé, fundador de cidades peninsulares, Túbal «fundou Gibraltar», além de Setúbal, como reiteram Fr. Bernardo de Brito (Monarquia Lusitana, I, 1), Gaspar Barreiros (Chorographia, 1651, fl. 63), Brás Garcia de Mascarenhas (Viriato Trágico [1699], canto I) e demais referidos em “Louvor e ilustração da Língua Portuguesa” (cf. Ernesto Rodrigues, Ensaios de Cultura. Lisboa: Theya, 2016).
Quanto a Luso, «que também enobreceu esta terra», diz Oliveira (p. 40-41) que «não foi grego, mas de Portugal nascido e criado, filho de Liceleu», ou Baco (ver Os Lusíadas, I, 30: 2; I, 31: 5; I, 34: 4; I, 39: 3; I, 49: 5 e VI, 14, 20 = Lieu; I, 73: 2 = Grão Tebano; I, 82: 1; II, 10 = filho de duas mães; II, 12: 2 e VI, 6, 26 = Tioneu; II, 39: 2; III, 18; VI, 25; VIII, 3-4, 47-50; IX, 91 ), do qual rei Luso «se chamou a terra em que vivemos Lusitânia, a qual depois chamaram Turdugal, não do porto de Gaia, como quer Duarte Galvão na História de El-Rei D. Afonso Henriques, mas dos Túrdulos e Galos, duas nações de homens que vieram morar em esta terra, segundo conta Estrabão no terceiro livro da sua Geografia». Esta tese não vingou, antes permanece a de Portus Cale = Portucale resumida em Camões (VI, 52: 1-3): «Lá na leal cidade, donde teve / Origem (como é fama) o nome eterno / De Portugal, […].» Duarte Nunes de Leão, na póstuma Descrição do Reino de Portugal (1610), deriva Lusitânia de Luso,

 

cõpanheiro de Bacho, a que por outro nome chamão Lysia de que também a dita prouincia se dizia Lysitania. Dahi a muitos centos de anos veo a Lusitania chamarse Portugal por esta causa. Na ribeira do rio Douro ha um lugar antiquissimo que o Emperador Antonino em seu itinerario chama cale, & agora se chama Gaia. O qual por seu lugar firmado em alto, & que tinha trabalhosa seruentia para os moradores que erão os mais delles pescadores, començarão a povoalo na parte baxa perto á ribeira do rio. E assi foi crescendo, & se chamou Porto de Cale, & despois Porto Cale, & per tempo Portugal mudando o C. em G. […]. (p. 11v-12r)

Somos, assim, «gente / De Luso» (Os Lusíadas, I, 24: 4; I, 39: 4; II, 17: 6; II, 103: 6; III, 95: 8), o Luso (II, 48: 2; III, 51: 7), eventualmente «Luso horrendo» (II, 48: 8), «geração de Luso» (VII, 2: 1). A origem do nome Lusitânia e a filiação no Tebano demora-se em III, 21 e VIII, 2: 7-8, 3: 1-8 e 4: 1-4, com o acrescento de que Luso está sepultado nesta sua terra.
O «sábio Grego» (Os Lusíadas, I, 3: 1) ou «facundo Ulisses» (II, 45: 1), «O perdido Ítaco» (II, 82: 1) fundador de Lisboa e pai dos Ulisseus (III, 57, 58), tem mais larga menção em VIII, 4: 5-8, 5: 1-4. É, todavia, representação do mito na Mensagem pessoana: «O mito é o nada que é tudo.» A sintaxe e entendimento das três quintilhas são subtis.
A vida, somente «metade de nada», morre, aqui em baixo; o mito, um nada completo, «é tudo», na existência transfiguradora que damos ao inexistente necessário, o qual nos cria, fecundando realidade, falando-a, acima da mesmidade ‒ o «mesmo sol» (grifamos mesmo, para que se sinta a diferença, a novidade) ‒ e da mudez do corpo divino morto.

Linguagem dos Media

1Linguagem dos MediaEJR

1. Nome da unidade curricular
Linguagem dos Media / Language of the Media

2. Ciclo de estudos
1.º

3. Docente responsável e respectivas horas de contacto na unidade curricular
Ernesto José Rodrigues
60 h

4. Outros docentes e respectivas horas de contacto na unidade curricular

5. Objectivos de aprendizagem (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes)
O aluno será capaz de a) reconhecer a especificidade de cada meio e compreender as vias para maximizar a mensagem; b) analisar a complexidade de algumas questões mediáticas, caso da violência, censura, globalização, etc.; c) escrever e expressar-se em moldes efectivamente comunicacionais; d) articular massa de informação complexa de modo estruturado e sistemático.

5. Learning outcomes of the curricular unit
The student will be able a) to recognize the distinctions of each medium and to understand ways to maximize the communications message; b) to analyze the complexity of some media issues including violence, censorship, globalization, etc.; c) to use written and oral communication effectively; d) to manage quantities of complex information in a structured and systematic way.

6. Conteúdos programáticos
1. O conceito de media; tipos de mass media; função dos mass media.
2. Os media impressos: períodos, tipos e características dos media impressos.
3. Conteúdos de jornal; análise de notícias; redacção de notícias.
4. Rádio; televisão; cinema.
5. Os media na era online; jornalismo digital.
6. Evolução, função e tipos de publicidade. Ética em publicidade.

6. Syllabus
1. The concept of media; types of mass media; functions of mass media.
2. Print media: periods, types and characteristics of print media.
3. Content of newspaper; analyzing news; making news.
4. Radio; television; cinema.
5. Media in online age; digital journalism.
6. Evolution, functions and types of advertising. Ethics in advertising.

7. Demonstração da coerência dos conteúdos programáticos com os objectivos de aprendizagem da unidade curricular
Os conteúdos programáticos estão em coerência com os objectivos da unidade curricular, dado que os tópicos foram seleccionados visando proporcionar conhecimentos fundamentais sobre a diferença entre informação e comunicação e seus efeitos na cultura e na sociedade. Os estudantes mostrar-se-ão capazes de especificar a linguagem dos vários media, suas formas de utilização, ilustrando-os com exemplos de diferentes épocas.

7. Demonstration of the syllabus coherence with the curricular unit's objectives
The syllabus is consistent with the objectives of the curricular unit since all topics included in the syllabus were selected so as to provide fundamental knowledge about difference between information and communication and their effects on culture and society. The students will be able to explain the language of the various media, their forms of utilization and illustrate them with examples of different eras.

8. Metodologias de ensino (avaliação incluída)
O ensino baseia-se em aulas teóricas e práticas e em trabalho de pesquisa autónoma e temática em livros de referência. A avaliação consiste num teste final e num trabalho de grupo constituído por 2 ou 3 alunos. A avaliação assenta na participação (10%), trabalhos em aula (50%) e em casa (40%).

8. Teaching methodologies (including evaluation)
Teaching is mainly based on classes and students research on case studies through technical books. Evaluation will be based on final exam plus a small project developed in teams of 2 or 3 students. Teacher evaluations are based on class participation (10%), class work (50%) and homework (40%).

9. Demonstração da coerência das metodologias de ensino com os objectivos de aprendizagem da unidade curricular
O conhecimento teórico e a aplicação prática são objectivos desta unidade, permitindo passar de casos académicos para situações próximas da realidade. A análise de casos de estudo é privilegiada. Seguimos a hierarquia do nível cognitivo segundo Bloom (1956): 1. Conhecimento; 2. Compreensão; 3. Aplicação; 4. Análise; 5. Síntese; 6. Avaliação.

9. Demonstration of the coherence between the teaching methodologies and the learning outcomes
Objectives of this unit include theoretical knowledge and practical classes, extending the scope of the academic knowledge to realistic scenarios. Moreover, case studies are extensively used in the classes. We apply the Bloom’s hierarchy of cognitive domain (1956): 1. Knowledge; 2. Comprehension; 3. Application; 4. Analysis; 5. Synthesis; 6. Evaluation.

10. Bibliografia / Bibliography
BELL, Allan. 1991. The Language of New Media. ‎Hoboken, New Jersey: Wiley-Blackwell. ISBN: 978-0-631-16435-7
(The) Language of the Media.www.bbc.co.uk/worldservice/learningenglish/.../langmedia.pdf
MANOVICH, Lev. 2001. The Language of New Media. Cambridge, Massachusetts, London: The MIT Press. [= www.manovich.net/LNM/Manovich] ISBN-10: 0-262-13374-1; ISBN-13: 978-0-262-13374-6
McLUHAN, Marshall. 1994 [1964]. Understanding Media: The Extensions of Man. Cambridge, Massachusetts, London: The MIT Press. ISBN-10: 0262631598
McQUAIL, Denis. 2003. Teoria da Comunicação de Massas. Lisboa: F. C. Gulbenkian. ISBN: 972-31-1021-0

 

 

Mitos da Cultura Portuguesa

1Mitos da Cultura PortuguesaEJR

1. Nome da unidade curricular
Mitos da Cultura Portuguesa / Myths of Portuguese Culture

2. Ciclo de estudos
1.º

3. Docente responsável e respectivas horas de contacto
Ernesto José Rodrigues
60 h

4. Outros docentes e respectivas horas de contacto na unidade curricular

5. Objectivos de aprendizagem (conhecimentos, aptidões e competências a desenvolver pelos estudantes)
Analisar mitos específicos e sua função, reflectir de modo aprofundado sobre as próprias crenças, reconhecer alusões míticas na arte, literatura, teatro e cinema.

5. Learning outcomes of the curricular unit
The student will be able to analyze specific myths with regard to function, reflect with deeper understanding on their own beliefs, recognize mythic allusions in art, literature, drama, and film.

6. Conteúdos programáticos
Os mitos fundadores da Cultura Portuguesa.
A batalha de Ourique.
Inês de Castro.
Sebastianismo.
Apreciação do papel de figuras representativas.

6. Syllabus
The founding myths of Portuguese culture.
The battle of Ourique.
Inês de Castro.
Sebastianism.
Distinctive themes will be examined and attention will be paid to the role of representative figures.

7. Demonstração da coerência dos conteúdos programáticos com os objectivos de aprendizagem da unidade curricular
Os conteúdos programáticos estão em coerência com os objectivos da unidade curricular, dado que os tópicos foram seleccionados visando proporcionar conhecimentos fundamentais sobre o desenvolvimento e funções da mitologia portuguesa.

7. Demonstration of the syllabus coherence with the curricular unit's objectives
The syllabus is consistent with the objectives of the curricular unit since all topics included in the syllabus were selected so as to provide fundamental knowledge about the development and functions of Portuguese mythologie.

8. Metodologias de ensino (avaliação incluída)
O ensino baseia-se em aulas teóricas e práticas e em trabalho de pesquisa autónoma e temática em livros de referência. A avaliação consiste num teste final e num trabalho de grupo constituído por 2 ou 3 alunos. A avaliação assenta na participação (10%), trabalhos em aula (50%) e em casa (40%).

8. Teaching methodologies (including evaluation)
Teaching is mainly based on classes and students research on case studies through technical books. Evaluation will be based on final exam plus a small project developed in teams of 2 or 3 students. Teacher evaluations are based on class participation (10%), class work (50%) and homework (40%).

9. Demonstração da coerência das metodologias de ensino com os objectivos de aprendizagem da unidade curricular
O conhecimento teórico e a aplicação prática são objectivos desta unidade, permitindo passar de casos académicos para situações próximas da realidade. A análise de casos de estudo é privilegiada. Seguimos a hierarquia do nível cognitivo segundo Bloom (1956): 1. Conhecimento; 2. Compreensão; 3. Aplicação; 4. Análise; 5. Síntese; 6. Avaliação.

9. Demonstration of the coherence between the teaching methodologies and the learning outcomes
Objectives of this unit include theoretical knowledge and practical classes, extending the scope of the academic knowledge to realistic scenarios. Moreover, case studies are extensively used in the classes. We apply the Bloom’s hierarchy of cognitive domain (1956): 1. Knowledge; 2. Comprehension; 3. Application; 4. Analysis; 5. Synthesis; 6. Evaluation.

10. Bibliografia / Bibliography
ELIADE, Mircea. 1986. Aspectos do Mito. Lisboa: Edições 70.
FERREIRA, António. 2000. Poemas Lusitanos. Ed. crítica de T. F. Earle. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. [Há outras edições da tragédia Castro.]
PESSOA, Fernando. 1934. Mensagem. Lisboa: Parceria A. M. Pereira.
PIRES, António Machado. 21982. D. Sebastião e o Encoberto. Lisboa: F. C. Gulbenkian,
SARAIVA, António José. 32007. A Cultura em Portugal. Teoria e História. Livro I. Introdução Geral à Cultura Portuguesa. Lisboa: Gradiva.

 

 

Na morte de Kertész Imre

Sem Destino

 

Passou nas salas portuguesas o filme húngaro Sem Destino (produzido com o Reino Unido e Alemanha, 2005), adaptado de Sorstalanság (1975), com que Imre Kertész (Budapeste, 1929) relança a carreira, até ao Prémio Nobel da Literatura, em 2002.

Fui à antestreia, feliz por ter sido adoptado no filme o título breve que propus em 2003 – saíram quatro edições e, depois desse, traduzi outros quatro do autor –, além de coincidências do guião em que a legendagem me retomava, e curioso, ao mesmo tempo, por ver como o realizador Lajos Koltai resolvia problemas (não vou alargar-me nisso) como a variedade linguística num campo de concentração, que me obrigara a dezenas de notas. Reduziu esse aspecto ao mínimo; não conseguiu transmitir sensações, odores, ironias e ingenuidades que o texto dá; mas, em densos 134 minutos, sai obra digna, mesmo notável, sessenta anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. 

Há uma pergunta a fazer: mais um filme sobre o Lager, sobre os campos de extermínio? É verdade; é possível. Mas este argumento é mais do que isso, pois, sendo trabalhado do ponto de vista de um adolescente judeu de catorze anos e meio (idade do autor em 1944, quando é enviado para Auschwitz, passando, depois, por Buchenwal e Zeitz), transforma-se num outro tipo de crescimento dentro de rotina que é elogio da amizade e camaradagem; mais, ainda: embora sem saída, durante a guerra e no regresso à capital destruída, órfão de pai, György Köves (este apelido significa ‘pedregoso’) sabe que «não há absurdo que não se possa viver naturalmente».

A próxima experiência do mesmo autor, ao querer editar esse livro, contada em A Recusa, reitera tal conclusão, agora em regime de estalinismo doce. Ao jovem sobrevivente, mais do que as vicissitudes ou os «horrores» por que todos lhe perguntam, em cidade afinal demudada e hostil, interessa algo que «se assemelhava à felicidade», «lá, entre as chaminés, nos intervalos do sofrimento» (p. 183). Felicidade, vendo fios de fumo dos fornos crematórios? É verdade.

“O Holocausto como cultura” (título de conferência e livro) será, doravante, o principal tema de Kertész: alarga o conceito à experiência comunista, ao capitalismo selvagem que a esta sucedeu no seu país e a comportamentos sionistas em que se não reconhece. Torna-se, logo, um ser contra esses mundos – já questionando se faz sentido trazer filhos ao mundo, em Kaddish para Uma Criança Que não Vai Nascer –, agarrado à traumática vivência juvenil e a um complexo citacional maioritariamente de língua alemã (de que traduziu alguns dos principais autores), embora também extensivo a, por exemplo, um Bernardo Soares e seu Livro do Desassossego, em epígrafe no livro Um Outro. Crónica de Uma Metamorfose.

De prosa algo pesada, pouco literária – o segundo romance, A Recusa, será o melhor, em termos de composição, apesar de leitura difícil –, e com parca aceitação no seu país (o Nobel foi inesperado para todos), é, todavia, o mais traduzido. Este filme tem, ainda, o mérito de relançar cinematografia bem melhor do que a nossa.

 

[Reproduzido de Mensageiro de Bragança, 6-7-2006]

 

Uma Bondade Perfeita

CONVITE

 

A Gradiva e a Livraria Ferin têm o prazer de a/o convidar

para o lançamento do romance

Uma Bondade Perfeita

de Ernesto Rodrigues

 

A obra será apresentada pelo autor.

A sessão terá lugar no próximo dia 31 de Março de 2016, quinta-feira, pelas 18h30, na Livraria Ferin, Rua Nova do Almada, 70-74, Lisboa.

Seguir-se-á uma sessão de autógrafos.

 

ENTRADA LIVRE

Ensaios de Cultura

Ernesto Rodrigues, Ensaios de Cultura, Lisboa: Theya Editores. eBook.

http://www.wook.pt/ficha/ensaios-de-cultura/a/id/17454609
http://theya-ed.org/index.php/pt/ensaios-de-cultura/

 

Os 21 Ensaios de Cultura (1977-2015) assentam na complementaridade entre historiador e analista da cultura face a conjuntos culturais diversos. Convocados elementos visuais (vitral, artes plásticas, pequena escultura) e sonoros (fonógrafos, gramofones), domina o livro enquanto impresso, suas dedicatórias e seus brancos. Olha-se, desde mais acessível Idade Média, ao conto popular, à viagem, ao desporto, aos óculos, à polémica, ao elogio dos bombeiros e ao tema da Virgem e o Menino na Cultura Portuguesa; desde a Roma antiga, à fortuna dos nomes Célia e Lídia. A ilustração do idioma – com antológica de seiscentistas – decorre até hoje, ora dissecando o discurso político em 1976, ora intervindo em debates ainda acesos. Que personalidade cultural será, porém, a nossa, e que mitos alimenta? Essas mais longas reflexões decorrem do texto inaugural, qual introdução ao estudo da Cultura, que também sinaliza os princípios orientadores de uma entrega de décadas à investigação e ao ensino.

 

 

Padre António Vieira

 

1608 (6-2):  Nasce em Lisboa.

1614: Parte com os pais para a Baía, Brasil.

1623: Entra no Colégio dos Jesuítas. Começa a fase do RELIGIOSO.

1624: Os Holandeses tomam a Baía. Os jesuítas fogem, vivendo um ano em povoações índias.

1626, 30 de Setembro: “Ânua da Província do Brasil”. Carta enviada ao geral da Companhia de Jesus.  Trata-se de um relatório anual, aqui entregue ao ainda noviço. É o seu primeiro (e longo) escrito. Abre a edição das 719 Cartas (3 vols., ed. de J. Lúcio de Azevedo, Lx: INCM, 1925-28 = 1970-1 = 1997, p. 3-70).

1626-1628: Olinda.

1628-1641 (27-2): Baía. Em 1633, prega o primeiro de cerca de 200 Sermões (= 15 tomos em 5  vols., Porto, Lello & Irmão, 1959). Ordena-se sacerdote em 10-12-1634.

1641 (28-4)-Janeiro de 1646: Lisboa. Fase do POLÍTICO.

1646. De Fevereiro a Abril: Primeira missão diplomática - Paris, Rouen;  de 18-4 a Julho: Haia; de Agosto de 1646 a 13-8-1647: Lisboa. Nesta data, sai para a segunda missão diplomática.

1647. De 21-9 a 30-9: Dover, Londres; de 11-10 a 22-11: Paris; de 17-12-1647 a Setembro de 1648: Haia.

1648 (15-10)-1650 (8-1): Lisboa; de 16-2 a Junho de 1650: Roma. Primeira jornada a Roma.

1650 (Julho?)-1652 (25-11): Lisboa. Nesta data, sai para o Brasil. É a fase do MISSIONÁRIO.

1653 (16-1)-1654 (16-6): Maranhão, Pará, Maranhão, de Agosto a 24-10: Açores.

1654 (Novembro)- 1655 (16-4): Lisboa.

1655-1661 (8-9): Maranhão, Belém, Maranhão. Em 29-4-1659, escreve a célebre carta (=LXXIII) “Esperanças de Portugal e Quinto Império do Mundo”, peça-base da incriminação, em breve, pelo Santo Ofício.

1661-1662, de Novembro a Junho: Lisboa. Afirma-se o VIDENTE.

1662 (21-6)-1663 (Fevereiro): Porto. Abre-se o desterro, seguido de processo em Coimbra.

1663 (12-2)-Janeiro de 1668: Coimbra. Redacção de História do Futuro (esboçada em 1649; 1.ª ed., 1718). O processo inquisitorial, referido às datas de 7-IV-1660 / 23-XII-1667, na Torre do Tombo, consta de cerca de 1500 folhas.

1668-1669 (15-8): Lisboa.

1669 (21-11)- 1675 (22-5): Roma. Segunda jornada a Roma. Confirma-se DERROTADO.

1675 (23-8)-1681 (27-1): Lisboa. Parte como VENCIDO. Em 1679, editava a primeira parte (= 1.º vol.) dos Sermões, de que ainda revê 13 tomos.

1681-1697: Baía. Dedica-se, sobretudo, à Clavis Prophetarum (com a tradução, Chave dos Profetas, mais completa e recente, Lx, 2000), que terá ideado aí por 1645. Morre em 18 de Julho.

Sebastião (Dom) e o Sebastianismo

Bibl.:Maria Natália Freire da Cruz dos Reis, D. Sebastião na Poesia Portuguesa, tese de lic., Lisboa, 1949; Jean Subirats, «Les séquelles du sébastianisme portugais au XIXe et au XXe siècles», in Travaux de la Faculté des Lettres de Rennes. Études Ibériques, Rennes, 1968 ; Joel Serrão, Do Sebastianismo ao Socialismo em Portugal, Lisboa, 1969; Raymon Cantel, «Le messianisme dans la pensée portugaise du XVIe siècle à nos jours», in Arq. do Centro Cult. Port., II, 1970, p. 433-444; António Sérgio, «Interpretação não romântica do sebastianismo», in Ensaios, I, Lisboa, 1971, p. 239-251; José António Flórido Hortas, Génese do Sebastianismo: na Obra de Guerra Junqueiro, de Teixeira de Pascoaes e de Fernando Pessoa, tese de lic., Lisboa, 1971; António Sérgio, «Camões panfletário – Camões e D. Sebastião», in Ensaios, IV, Lisboa, 1972, p. 93-128;Costa Brochado, «Da morte e tumulização de el-rei D. Sebastião», in AA. VV., Colectânea de Estudos em Honra do Prof. Doutor Damião Peres, Lisboa, 1974, p. 183-202; Moura-Relvas,El-Rei D. Sebastião. Ensaio Biológico, Coimbra, 1972; Dalila Pereira Costa, A Nau e o Graal, Porto, 1978; Jornada del-Rei Dom Sebastião à África. Crónica de Dom Henrique, ed. de Francisco Sales Loureiro (fac-símile da ed. de Lourenço Marques, 1970), Lisboa, 1978; F. Sales Loureiro, D. Sebastião: antes e depois de Alcácer-Quibir, Lisboa, 1978; Francisco Sales Loureiro, ed.,«Relação da Vida d’El Rey D. Sebastião do P.e Amador Rebello», in Rev. da Fac. de Letras, 4.ª s., 2, 1978, p. 481-559; José Veiga Torres, «Um exemplo de resistência popular: o sebastianismo», in Rev. Crítica de Ciências Sociais, 2, Set.-Dez. 1978, p. 5-33; Idem, Fonction et Signification Sociologique du Messianisme Sébastianiste dans la Société Portugaise, tese de dout., Paris, 1979; Agustina Bessa Luís, O Mosteiro, Lisboa, 1980; João Palma-Ferreira, «O “biógrafo” de Luís de Camões, Pedro de Mariz, como autor da Crónica de El-Rei D. Sebastião?», in Obscuros e Marginados, Lisboa, 1980, p. 9-27; Mário Saraiva, Nosografia de D. Sebastião, Lisboa, 1980; Maria Leonor Machado de Sousa, D. Inês e D. Sebastião na Literatura Inglesa, Lisboa, s/d [1980]; António Machado Pires, D. Sebastião e o Encoberto, 2.ª ed., Lisboa, 1982; António Quadros, Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista, I, Lisboa, 1982; F. de Sales Loureiro, «Jesuítas na crista da onda da política sebástica», in Clio, 4, 1982, p. 71-77; André Rodrigues de Évora, Sentenças para a Ensinança e Doutrina do Príncipe D. Sebastião, fac-símile do ms. inédito da Casa Cadaval, introd. de Luís de Matos, Lisboa, 1983; Georges Boisvert, La Guerre Sebástica à Lisboa en 1810, Paris, 1983; F. de Sales Loureiro, «“Les faux Don Sébastien”: mito e história», in Rev. da Fac. de Letras, 5.ª s., 2, Dez. 1984, p. 55-63; J. Lúcio de Azevedo, A Evolução do Sebastianismo, reed., Lisboa, 1984; José Veiga Torres, «O tempo colectivo progressivo e a contestação sebastianista», in Rev. de História das Ideias, 6, 1984, p. 223-258; Maria Leonor Machado de Sousa, D. Sebastião na Literatura Inglesa, Lisboa, 1985; Miguel de Antas, Os Falsos D. Sebastião, Lisboa, 1985; J. Veríssimo Serrão, ed., Itinerários de El-Rei D. Sebastião: 1568-1578, 2.ª ed., Lisboa, 1987; José van den Besselaar, O Sebastianismo – História Sumária, Lisboa, 1987; Julieta de Oliveira, «O falso D. Sebastião perante o senado de Veneza», in Peregrinação, 18, Out.-Dez. 1987, p. 16-30; F. de Sales Loureiro, D. Sebastião e Alcácer-Quibir, Lisboa, 1989; Maria Madalena Gonçalves, «Significados retóricos de um mito nacional: D. Sebastião n’“O Desejado” de Nobre e na Mensagem de Pessoa», in Colóquio/Letras, 113-114, Jan.-Abr. 1990, p. 91-98; Maria do Rosário Temudo Barata, As Regências na Menoridade de D. Sebastião. Elementos para Uma História Estrutural, 2 vols., Lisboa, 1992; D. João de Castro, Discvrso da Vida do Rey Dom Sebastiam, introd. de Aníbal Pinto de Castro, Lisboa, 1994; Diogo Ramada Curto, «Ó Bastião, Bastião», in Yvette K. Centeno, ed., Portugal: Mitos Revisitados, Lisboa, 1993, p. 139-176; Helena Barbas, «Mito Imperial e Sebastianismo em As Profecias do Bandarra de Almeida Garrett», ibid., p. 177-223 (reprod. in Almeida Garrett – O Trovador Moderno, Lisboa, 1994, p. 137-197); Justino Mendes de Almeida, «O epitáfio do túmulo para D. Sebastião nos Jerónimos», in Estudos Camonianos. História e Crítica, Lisboa, 1993, p. 283-285; Rui Grilo Capelo, «Sebastianismo e esoterismo na arte do prognóstico em Portugal: sécs. XVII e XVIII», in Rev. de História das Ideias, 15, 1993, p. 53-74; Carmo Ponte, «Sebastianismo: prova póstuma da nacionalidade», in Actas do 4.º Congr. Intern. de Lusitanistas, Lisboa-Porto-Coimbra, 1995, p. 1073-1079; Lucete Valensi, Fábulas da Memória. A Gloriosa Batalha dos Três Reis, Lisboa, 1996; Crónica de Almançor, Sultão de Marrocos (1578-1603), de António de Saldanha / Chronique d’Al-Mansour, Sultan du Maroc (1578-1603), de António de Saldanha, estudo crítico, introd. e notas de António Dias Farinha, Lisboa, 1997; Fernando Gil, «O advento do Quinto Império e a profecia bíblica», in Margarida Vieira Mendes et alii, Vieira Escritor, Lisboa, 1997, p. 275-288; Isabel Pires de Lima, «O regresso de D. Sebastião – narrativa e mito na ficção portuguesa contemporânea», in Rev. da Fac. de Letras – Línguas e Literaturas, II s., XIV, 1997, p. 251-264; Jacqueline Hermann, No Reino do Desejado. A Construção do Sebastianismo em Portugal. Séculos XVI e XVII, S. Paulo, 1998; Agostinho da Silva, «Considerando o Quinto Império», in Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira I, Lisboa, 2000, p. 249-260; António Carlos Carvalho, Prisioneiros da Esperança. Dois Mil Anos de Messias e Messianismos, Lisboa, 2000; Mário Saraiva, Dom Sebastião na História e na Lenda, 2000; Fernando Pessoa, Portugal, Sebastianismo e Quinto Império, Mem-Martins, s/d.  Compulsar a série de artigos de Eduardo Guerra Carneiro n’OPrimeiro de Janeiro, Porto, Agosto de 1983. Para D. Sebastião em literaturas românticas, cf. Helena C. Buescu, coord., Dic. do Romantismo Literário Português, Lisboa, 1997, p. 528-533. Na ficção, Maria Moura-Botto, O Regresso de D. Sebastião. Romance Histórico, Lisboa, 2000; Manuel Pinheiro Chagas, António H. Secco, I. Vilhena Barbosa, D. Sebastião: Bênção ou Maldição?, Lisboa, 2012; mas convém ler Fernando Venâncio, «De Ceuta a Alcácer Quibir», in Expresso – Revista, 16-6-2001, p. 86-97, ou Quem Inventou Marrocos, Vila Nova de Gaia, 2004, onde  alude a títulos de Agustina Bessa-Luís, Ernesto Rodrigues, Manuel Alegre, Fernando Campos, etc. Começar por Vítor Amaral de Oliveira, Sebástica. Bibliografia Geral sobre D. Sebastião, Coimbra, 2002. Ver O Quinto Império - Ontem como Hoje (2004), de Manoel de Oliveira, filme baseado na peça El-Rei Sebastião (1949), de José Régio.

Inês de Castro

Bibl. : Mário Martins, «O elogio fúnebre de Dona I. de C.», in  Alegorias, Símbolos e Exemplos Morais da Literatura Medieval Portuguesa, Lisboa, 1975, p. 101-104; Paul Teyssier, Un Problème d’Histoire Littéraire Luso-Espagnole: la Genèse de l’Épisode Macabre dans le Mythe d’Inès de Castro, sep. de Mélanges Offerts à Charles Vincent Aubrun, Paris, 1975;  Maria Leonor Machado de Sousa, D. Inês e D. Sebastião na Literatura Inglesa, Lisboa, s/d [1980] ; Azinhal Abelho, «O drama de I. de C.», in Teatro Popular Português. Trás-os-Montes II, Braga, 1982, p. 131-222;  Renata Cusmai Belardinelli, «I Doze sonetos per la morte d’Inés de Castro di Don Francisco Manuel de Melo», in Arq. do Centro Cult. Port., XVII, 1982, p. 845-935; Sílvio Castro, Tre Studi e Variazioni su Camões, Pádua, 1982, p. 99-121; Olga Ferreira, «O Inesismo nas correntes nacionalistas e tradicionalistas dos fins do séc. XIX e princípios do XX», in Munda, 5, 1983, p. 39-55; Maria Leonor Machado de Sousa, I. de C. na Literatura Portuguesa, Lisboa, 1984; Adrien Roig, Inesiana ou Bibliografia Geral sobre I. de C., Coimbra, 1986; Angela Birner, «L’histoire d’Inès de Castro dans les feuillets de colportage du XXe siècle», in AA. VV., Littérature Orale Traditionnelle Populaire, Paris, 1987, p. 371-384; Geysa Silva, A Morte da Rainha. Uma Leitura do Mito de Inês, tese de mestr., Rio, 1987; Maria Leonor Machado de Sousa, Inês de Castro. Um Tema Português na Europa, Lisboa, 1987; António José Saraiva, O Crepúsculo da Idade Média em Portugal, Lisboa, 1988, p. 47-55; Maria de Fátima Marinho, «I. de C. – Outra era a vez (I parte)», in Rev. da Fac. de LetrasLínguas e Literaturas, II s., VII, 1990, p. 103-136; C. A. Ferreira de Almeida, «A Roda da Fortuna / Roda da Vida no túmulo de D. Pedro, em Alcobaça», in AA. VV., Homenagem ao Prof. Doutor Artur Nobre de Gusmão, Porto, 1991; Serafim Moralejo, «“El texto” alcobacence sobre los amores de D. Pedro y D. Inés», in Actas do Congr. da Assoc. Hispânica de Literatura Medieval, I, Lisboa, 1991; Lúcia M. Cardoso Rosas, «Túmulo de D. Pedro», in Nos Confins da Idade Média – Arte Portuguesa – Séc. XII-XIV, Lisboa, 1992; Brunello De Cusatis, «La Fedeltà anche doppo morte de Domenico Laffi. O tema inesiano numa obra dramática italiana do século XVII», in Rev. da Bibl. Nac., s. 8 (1), 1993, p. 251-257 [= «La fedeltà anche doppo morte di Domenico Laffi: il tema inesiano in una tragedia italiana del ‘600», in Tra Italia e Portogallo. Studi Storico-Culturali e Letterari, Roma, 1999, p. 49-78]; Francisco Nuno Ramos, Os Túmulos de I. de C. e D. Pedro I, tese de mestr., Lisboa, 1993; Maria Manuel Lisboa, «I. de C.: a morte na página em branco», in Actas do 4.º Congr. da Assoc. Intern. de Lusitanistas, Lisboa-Porto-Coimbra, 1995, p. 641-650; dossier in Público – Mil Folhas, 2-6-2001, p. 18-21. O tratamento do tema na literatura convoca Herberto Helder, Ruy Belo, Agustina, Vasco Pereira da Costa, António Cândido Franco, João Aguiar, Nuno Júdice, Rosa Lobato de Faria (A Trança de Inês, 2001, romance sobre a «intemporalidade da paixão»). 

 

[Ernesto Rodrigues et alii, coord., Dicionário de Literatura. Actualização, vol. 2, Porto, Figueirinhas, 2003. Recomenda-se leitura do verbete «Inês de Castro» nas edições anteriores.]

 

Saíram, entretanto, Inês de Castro (2003), de Maria Pilar Queralt del Hierro; Minha Querida Inês (2011), de Margarida Rebelo Pinto; A Casa de Bragança (2013), de Ernesto Rodrigues. Para outros títulos e considerações, ver Flavia Maria Corradin, "A paródia a sério da História: O Eunuco de Inês de Castro" (2007: 77-92; online).

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